Falta trabalho para 27,7 milhões de brasileiros

Subutilização atinge 27,7 milhões de pessoas

No 4º trimestre de 2017, este grupo estava em 26,4 milhões de pessoas e, há um ano, em 26,5 milhões. O número é a soma de desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais e aqueles que até queriam uma vaga, mas por alguma razão não procuravam ou procuravam, mas não estavam disponíveis para trabalhar - que formam a chamada subutilização da força de trabalho.

Parte da queda no desemprego entre o primeiro trimestre de 2017 e os três primeiros meses deste ano, quando a taxa de desocupação caiu de 13,7% para 13,1%, é explicada pelo aumento da subutilização da força de trabalho e do desalento, afirmou nesta quinta-feira, 17, Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente de subutilizados também é o maior da série histórica.

Ainda de acordo com dados da Pnad Contínua Trimestral o desalento alcançou 4,6 milhões de pessoas. O primeiro é o de desalentados, aqueles que desistiram de procurar vagas, enquanto o segundo é formado por pessoas que não têm disponibilidade de trabalhar, como mães que largam seus empregos para cuidar dos filhos.

Faltava trabalho para 27,7 milhões de brasileiros no primeiro trimestre. Outro informação do instituto aponta aumento do desalento, que é a desistência do trabalhador de procurar emprego. Os números reúnem os desempregados, aqueles que trabalham menos de 40 horas semanais e os que não estão procurando emprego por motivos diversos. O mercado de trabalho está no fundo do poço e precisa ser tema primordial da campanha eleitoral deste ano. "A verdade é que o mercado ainda não absorveu a reforma trabalhista", explicou.

É considerado desempregado apenas quem toma providências para conseguir trabalho. Contudo, os estados do Nordeste somaram 2,8 milhões de pessoas nessa condição, enquanto no Sudeste são 922 mil.

Na comparação anual, a taxa recuou em todas as regiões. Já as menores em Santa Catarina (6,5%), Mato Grosso do Sul (8,4%), Rio Grande do Sul (8,5%) e Mato Grosso (9,3%). As taxas maiores de desocupação foram registradas no Amapá (21,5%), Bahia (17,9%), Pernambuco (17,7%), Alagoas (17,7%) e Maranhão (15,6%).

Os principais resultados da Pnad Contínuajá foram divulgados no final de abril e mostraram que o desemprego no primeiro trimestre chegou a 13,1%, aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao último trimestre do ano passado (11,8%).

No maior mercado de trabalho do país, São Paulo, a taxa também ficou acima da média nacional, atingindo 14%, com estimados 3,513 milhões de desempregados.

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