Putin inaugura ponte que liga a Crimeia à Rússia

Putin inaugura ponte entre Rússia e Crimeia

A obra reduz o isolamento da península e, simbolicamente, reforça a presença russa na região, anexada por Moscou em 2014.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, inaugurou hoje a ponte que liga a Rússia à península da Crimeia num gesto que o governo de Kiev considerou de "desrespeito pelo direito internacional". À frente de uma coluna de cerca de dez veículos, ele percorreu em 16 minutos os 19 quilômetros da Ponte de Crimeia, que liga a península de Kertch, na Crimeia, à península de Taman, no sul da Rússia.

Vladimir Putin comparecerá ao local para inaugurar a parte rodoviária da ponte, de quatro pistas, que no futuro também incluirá uma parte ferroviária de duas vias.

De acordo com um decreto do governo, a Stroigazmontaj tinha que entregar a ponte até dezembro de 2018, com um cisto máximo de 228,3 bilhões de rublos (2,9 bilhões de euros da época).

"Tentaram nos anos 30, 40 e 50 e finalmente, graças ao vosso trabalho e ao vosso talento, este projeto, este milagre aconteceu", disse Putin aos trabalhadores, citado pelo Diário de Notícias. Os turistas do país vizinho são uma das principais fontes de renda para essa península apreciada por suas praias e por suas montanhas, às margens do mar Negro.

Em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Volodymyr Groisman, reagiu de imediato e acusou a Rússia de "desrespeito ao Direito Internacional" pela construção e inauguração da nova ponte. A UE apontou ainda que a "a ponte limita a passagem de navios que navegam pelo estreito de Kerch para os portos ucranianos, no Mar de Azov".

A ponte, que passa pela ilha de Tuzla, tem uma altura de 35 metros no nível de seu arco central.

A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, reafirmou que a "Crimeia é parte da Ucrânia". "A Rússia vai pagar bem caro", ameaçou ainda.

"Para a União Europeia, a obra "constitui mais uma violação" da soberania da Ucrânia".

"Ela vai contribuir para desenvolver a economia da Crimeia e de Sebastopol [principal cidade da península]", acrescentou Putin.

Várias vezes a Ucrânia denunciou a construção dessa ponte como uma ataque à sua integridade territorial.

Em razão do bloqueio imposto por Kiev e das sanções ocidentais que se seguiram a essa anexação, a maioria dos produtos alimentícios chega de barca da Rússia, um modo de entrega que depende de condições meteorológicas favoráveis. Muitos não acreditavam que esse plano seria possível. "(Vladimir) Putin provou, mais uma vez, que os planos mais ambiciosos podem ser realizados sob sua direção", declarou nesta terça o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista coletiva.

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