Preso era homem de confiança de narcotraficante

Divulgação  Polícia FederalPF apreendeu dinheiro durante busca realizada em Recife pela Operação Efeito Domin

A denominação Efeito Dominó é uma alusão ao fato de existir um efeito em cascata no tráfico internacional de entorpecentes pois, por se tratar de crime que visa lucro, os recursos ilícitos amealhado, especialmente no vultoso volume identificado nesta operação, necessitam de forte estrutura de lavagem de dinheiro, consistentes na movimentação de recursos em espécie no país com a intervenção de operadores financeiros.

Conforme a PF, foi identificada complexa e organizada estrutura destinada à lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de entorpecentes.

Entre os presos estão dois doleiros já conhecidos pela PF - um deles alvo da Lava Jato e outro, da Operação Farol da Colina.

Além dos mandados de prisão, cinco de prisão preventiva e três de prisão temporária, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo. Segundo ele, na maioria das vezes, os "clientes" não sabem a origem do dinheiro que estão recebendo.

Biasoli ainda destacou que, de acordo com as investigações, os valores oriundos do narcotráfico poderiam ter chegado a políticos investigados e presos na operação Lava Jato, que eram clientes de Ceará. Não há ninguém do nível de Cabeça Branca sendo procurado pela Polícia Federal no momento. Entre 2014 e 2017 foram apreendidas 27 toneladas de cocaína.

A operação Efeito Dominó é um desdobramento da Operação Spectrum após as investigações que começaram em 2017.

Entre os detidos está Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como "Ceará", que assinou um acordo de delação premiada (colaboração com a justiça) com as autoridades no âmbito da operação Lava Jato. A operação desta terça-feira (15) apreendeu mais de R$ 200 milhões em imóveis que estavam em nome de laranjas.

Segundo a PF, ele retomou atividades ilegais a partir de 2016 mesmo tendo firmado acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República, que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

A polícia suspeita ainda que a compra de fazendas era apenas uma das formas encontradas por Cabeça Branca para lavar o dinheiro que ele ganhava com a venda de cocaína.

O título de "embaixador do tráfico" atribuído a Cabeça Branca foi atribuído ao narcotraficante pela forma como ele se relacionava com fornecedores e compradores da droga que ele intermediava. É uma referência ao líder da organização criminosa, Luiz Carlos da Rocha, que vivia discretamente e nas sombras, "reconhecido no meio policial pela experiência internacional, transcontinental e com larga rede ilegal de relacionamentos, desviando-se das investidas policiais há quase 30 anos".

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