PF diz que caixa 2 financiou reforma do sítio de Atibaia

Visão aérea do sítio de Atibaia

A ação investiga se o ex-presidente Lula recebeu o sítio e obras de melhoria no imóvel como propina de empreiteiras por contratos na Petrobras.

A obra teria custado no total R$ 1,05 milhão.

O documento da PF confirma a versão da delação premiada do engenheiro Emyr Costa Júnior.

O laudo teve como objetivo responder as questões do juiz Sergio Moro, do MPF e da defesa de Lula com base na análise dos dados contidos no sistema Drousys e Mywebday, utilizados pelo departamento de propina da Odebrecht como uma espécie de sistema financeiro paralelo. Ele apresentou documentos que mostram o recebimento de dois pagamentos, de R$ 400 mil e R$ 300 mil, em dezembro de 2010, para custeio da reforma do sítio.

No entanto, de acordo com peritos, não há no sistema alguma referência que o dinheiro foi redirecionado à obra do sítio em Atibaia. "A utilização de um caixa único explica as razões de não ser possível, em regra, vincular determinado pagamento ilícito à origem primária do recurso (obra executada pela Odebrecht)", diz o laudo. A defesa afirma que os valores são compatíveis com as notas fiscais já apresentadas pelo MPF à Justiça, como provas da suposta propina ao ex-presidente Lula.

"Não foram encontradas, no contexto da ação penal, até a data de emissão deste laudo, nas pesquisas efetuadas no material examinado (sistema Drousys e sistema MyWebDay) documentos os lançamentos que façam referências a termos tais como Atibaia, Sítio ou Santa Bárbara".

Laudo elaborado pelos peritos da Polícia Federal e tornado público nesta quarta-feira (16) aponta que as reformas feitas no sítio de Atibaia, alvo de um processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu, foram bancadas com recursos de propinas oriundas daOdebrecht. O documento comprova que dinheiro da Petrobras foi usado para abastecer um caixa de propinas da empresa.

A acusação se reportou a 7 contratos específicos da Petrobras, nenhum deles analisado pelo laudo pericial.

A defesa do ex-presidente Lula disse que a planilha não estabelece vínculo com o sítio em Atibaia e que ex-presidente jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem indevida da Odebrecht ou de qualquer outra empresa.

A perícia da PF que relaciona os valores desviados da Petrobras ao caixa geral de propinas da Odebrecht que, dizem os delatores, custeou as obras no Sítio Santa Bárbara, vem à tona três semanas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tirar do juiz federal Sergio Moro as delações premiadas de executivos da empreiteira que citavam as supostas propinas pagas a Lula por meio das reformas na propriedade.

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