Joesley Batista recebeu nova denúncia de Procuradoria

Joesley Batista

O curioso é que a denúncia ocorre apesar de o acordo de delação premiada assinado no início do ano passado entre Joesley, Francisco de Assis e a Procuradoria-Geral da República (PGR) que continua em vigência.

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal de Brasília o empresário Joesley Batista, sócio do Grupo J&F, por ter participado de um esquema de compra de atuação de um procurador da República durante a apuração sobre fundos de pensão. A relatora do caso é a desembargadora Mônica Sifuentes.

A peça é assinada por Gustavo Velloso, Marcelo Serrazul e Bruno de Acioli, da PRR-1 (Procuradoria Regional da República na 1ª Região). Uma vez que, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot concordou com um acordo onde os delatores não seriam punidos em troca das delações efetuadas.

"Em razão do ineditismo de muitos dos temas trazidos pelos colaboradores (...) a premiação pactuada entre as partes signatárias dos acordos foi o não oferecimento de denúncia em face dos colaboradores", escreveu Janot no documento em que pediu a homologação da delação dos executivos da JBS.

A denúncia aponta que o presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto, foi um dos articuladores do acerto com Joesley Batista, Francisco de Assis e Eldorado Brasil Celulose S/A. De acordo com a peça, na execução da medida de busca e apreensão determinada pelo ministro do STF Edson Fachin, foi encontrada minuta com os mesmos termos do contrato firmado entre a empresa e o escritório Willer Tomaz Advogados Associados, tendo o próprio Juliano Costa Couto figurando como contratado no mesmo valor de R$ 15 milhões. Só há uma explicação: "ou desconhecem que o acordo não está rescindido ou desconhecem a manifestação da PGR". A denúncia inclui dois nomes que não foram alvo da operação - Juliano Costa Couto e de André Gustavo Vieira, acusados dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Procurada pela reportagem, a PGR não retornou até a publicação desta edição.

O advogado denunciado questionou também que em alguns momentos as palavras dos delatores se justificam e em outros não são dignas de confiança. "Trata-se de um verdadeiro buffet, com perdão pelo estilo, no qual o MPF escolhe ao bel prazer o que lhe interessa, tomando alguns trechos dos depoimentos como verdade absoluta, dogma solar que tudo toca, e outros como a mais absurda das mentiras".

Villela teria revelado fatos e informações aos quais teve ciência em razão do cargo e que deveriam permanecer em segredo, como o conteúdo de duas reuniões sigilosas, tendo até apresentado documentos com "resumos de informações e estratégias confidenciais e sensíveis da Força-Tarefa da Greenfield" a Willer Tomaz para que fossem encaminhados a Joesley Batista. A denúncia foi toda estruturada tendo como base exclusivamente às delações revogadas.

Os outros denunciados também foram procurados, mas não responderam até a publicação da reportagem. Para conseguir o apoio do procurador, a empresa teria oferecido R$ 1,2 milhão a Willer Tomaz, pela Eldorado Celulose - que é do grupo J&F, sob pretexto de prestação de serviços. Willer Tomaz teria levado a promessa de vantagens indevidas ao então procurador da República no DF - uma das contrapartidas seria a atuação do procurador para buscar o arquivamento da investigação. Eles chegaram a ser presos na Operação Patmos, da Polícia Federal, após delações premiadas de executivos da J&F.

De acordo com os delatores, Tomaz, que trabalhou para a J&F (controladora da JBS), pagou propina a Villela para repassar informação privilegiada a Joesley.

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