Governo brasileiro cobrará dos EUA documentos da CIA sobre ditadura

O diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog Ivo Herzog

Levantamento do G1 com base em registros da Comissão Nacional da Verdade mostra que 89 pessoas morreram ou desapareceram após 1º de abril de 1974, data a partir da qual, segundo o documento da CIA, Geisel autorizou a execução de opositores.

A carta de Ivo Herzog, divulgada nesta sexta-feira, foi motivada pela informações reveladas recentemente pela CIA sobre a morte de prisioneiros políticos durante o período da ditadura militar, na presidência de Ernesto Geisel (1974-1979).

A revelação, segundo José Carlos Dias, desfaz a ideia em torno do perfil de Geisel, que comandou um lento processo de abertura política do regime militar. Apenas em 2014 o atestado de óbito de Vladimir foi alterado, com a causa da morte deixando de ser suicídio.

"A Família Herzog vem a vossa senhora solicitar manifestação ao Ministério de Estado das Relações Exteriores solicitando ao Governo Norte Americano a liberação completa dos registros realizados pela Agência Central de Inteligência (CIA) que documentam a participação de agentes do Estado Brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros", diz trecho da carta.

Entre as vítimas desse período, estão o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar voluntariamente ao Centro de Operações de Defesa Interna, um órgão militar da ditadura; e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo. Os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Avelino, segundo o informe, também tinham conhecimento sobre a política de execução. Nele, Colby detalha que Geisel, ao assumir o poder, foi informado de que 104 pessoas haviam sido mortas em 1973 pelo governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). No entanto, Geisel teria solicitado que as execuções só ocorressem em "casos excepcionais" que envolvessem "subversivos perigosos".

O documento da CIA revelado esta semana, mostrando o envolvimento do ex-presidente Geisel e a cúpula do regime militar com os crimes cometidos nos porões da ditadura fez ressurgir o movimento pela revisão da lei que anistiou também os torturadores e assassinos que agiram dentro do aparelho de Estado.

"Os documentos históricos que narram este terrível capítulo de nossa história e que o Estado brasileiro, através das suas Forças Armadas, proclama estarem destruídos, foram preservados por outra nação", afirma o pedido do instituto.

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