Aljezur. Furo de prospeção de petróleo avança sem avaliação de impacto ambiental

ASSOCIAÇÃO AMBIENTALISTA CRITICA PROSPECÇÃO EM ALJEZUR

"Não foram identificados impactos negativos significativos" na concretização do furo de prospecção petrolífera, garantiu à Lusa o presidente da APA, Nuno Lacasta.

Com esta decisão, faz-se "um favor para que a Galp possa fazer ainda este ano a prospeção, sem possibilidade de serem levantados obstáculos".

De acordo com elementos remetidos à APA pela ENI, o furo a realizar no mar, a 46 quilómetros de Aljezur, para avaliar as potencialidades do leito submarino, terá uma profundidade de cerca de 1.070 metros de profundidade.

É previsto que a operação dure 52 dias, 43 dos quais serão dedicados à perfuração.

"Continuamos a precisar de petróleo para vários fins durante algum tempo", sustentou, sublinhando que o Governo "acompanha a decisão da APA" e "as 50 medidas impostas" em termos de "segurança e limitação de risco ambiental".

Foi a 22 de Fevereiro que a Câmara de Loulé foi palco de uma reunião que juntou representantes dos mais variados setores, da qual saiu uma posição conjunta, com especial enfoque no furo de pesquisa que o consórcio Eni/Galp se prepara para fazer ao largo de Aljezur.

"Está a dar o pior sinal possível", afirmou Francisco Ferreira, frisando que há "argumentos técnicos que levantavam dúvidas suficientes para haver avaliação de impacto ambiental".

Em conferência de imprensa, a APA apresentou esta tarde as conclusões do processo de apreciação prévia de sujeição a procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental do projeto "Sondagem de Pesquisa Santola 1X". O processo de discussão pública decorreu até 14 de Abril, tendo hoje sido conhecida a decisão final da APA, que abre as portas ao avanço do furo.

"A eventual descoberta de hidrocarbonetos exigirá estudos adicionais e a elaboração de planos de desenvolvimento ou produção, bem como de estudos e avaliações ambientais adicionais", acrescenta. "Dos 900 megawatts de energia eólica e solar licenciados nos últimos dois anos e meio pelo Governo metade serão produzidos no Algarve Apesar deste enorme potencial energético o Algarve só representa ainda 3 por cento do total de energia renovável produzida em Portugal o que demonstra a enorme capacidade que a região tem por explorar e a enorme margem de boas energias que pode dar ao país", lê-se na nota.

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