PF faz operação para combater lavagem de dinheiro

Delator da Lava-jato é preso em ação da Polícia Federal em seis estados e no DF

Também conhecido como o "embaixador do tráfico", Cabeça Branca é apontado pela PF como o maior narcotraficante do Brasil e um dos maiores do mundo. Outras sete pessoas também foram presas.

Entre os presos estão dois doleiros já conhecidos pela PF - um deles alvo da Lava-Jato e outro, da Operação Farol da Colina.

Polícia deflagrou Operação Efeito Dominó nesta terça-feira em seis Estados e no DF contra lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas.

Carlos Alexandre Souza Rocha, o Ceará, já havia firmado um acordo de colaboração premiada no âmbito da Lava Jato. "A Procuradoria Geral da República e Supremo Tribunal Federal serão comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto a quebra do acordo firmado", diz o trecho. De acordo, ainda com a PF, Ceará e Cabeça Branca passaram a atuar juntos a partir de 2016. Antes, em 2013, Ceará já trabalhava para traficantes. Ele encabeçava um dos núcleos da rede investigada pela Efeito Dominó.

Em Pernambuco foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão: um na Avenida Boa Viagem e outro na Mascarenhas de Morais.

Os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.

Segundo os delegados Igor Romário de Paula e Roberto Biasoli, políticos investigados na Lava Jato podem ter recebido, sem saber, propina paga com dinheiro movimentado pelo tráfico. "Eles são prestadores de serviço, especializados em remessa de dinheiro para o exterior". De acordo com as investigações, o tráfico internacional de drogas rendeu à quadrilha um lucro de 2017, US$ 140 milhões.

A ação desta terça-feira é um desdobramento da chamada operação Spectrum, que prendeu Luiz Carlos da Rocha em julho de 2017.

As investigações demonstram robustos indícios acerca do modus operandi da organização criminosa, consistente na convergência de interesses das atividades ilícitas dos "clientes dos doleiros" investigados. De um lado haveria a necessidade de manter disponível um grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas. Todas essas operações são realizadas sem a devida comunicação às autoridades bancárias e fiscais dos países envolvidos.

Luiz Carlos da Rocha está preso na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. No mês seguinte, em 22 de abril de 2014, o Ministério Público Federal do Paraná apresentou denúncia contra Ceará por apenas um crime: operar, sem a devida autorização, instituição financeira de câmbio, com pena prevista de um a quatro anos de reclusão.

Esta foi a primeira condenação de Cabeça Branca desde que foi preso.

O grupo, segundo a PF, era um dos principais fornecedores de cocaína para facções criminosas paulistas e cariocas. Com informações da Folhapress.

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