Conselho de Segurança deve reunir-se hoje depois de confrontos em Gaza

Mohammed Salem  Reuters

O Exército israelita matou esta terça-feira mais um palestiniano junto à fronteira com Gaza, enquanto decorriam os funerais de dezenas de manifestantes que perderam a vida na segunda-feira.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou nesta terça-feira que parece que qualquer palestino que se manifesta em Gaza corre o risco de ser morto a tiros pelas forças israelenses, independente se representa ou não uma ameaça iminente.

Nesta terça-feira, os mortos da véspera eram sepultados em Gaza.

Desde que as ações de protesto dos palestinianos começaram em 30 de março último, já morreram 105 palestinianos.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, até um recém-nascido morreu após inalar gás lacrimogêneo durante a ofensiva. Com pelo menos 55 mortos e mais de 2.400 feridos, o dia de ontem foi o mais violento desde o conflito armado de 2014 em Gaza. "A posição da J-Amlat, assim como da esquerda israelense, é de que a mudança expressa a total irresponsabilidade do governo Trump em relação a uma solução negociada de dois Estados, pois sinaliza o apoio à anexação da Cisjordânia que está em curso por Israel, afastando ainda mais as perspectivas de paz entre israelenses e palestinos, que já esteve muito perto de ser alcançada", afirma Storch. Os milhares de combatentes do grupo não utilizaram suas armas até o momento, mas Al-Hayya deu a entender que isto pode mudar. Nenhum soldado israelense foi ferido, e Israel foi criticado por uso excessivo da força. A ONU acusa o Estado israelita de "uso excessivo de força" e de "matança intencional".

Os países árabes solicitaram, através do Kuwait, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, que deve ser realizada nesta 3ª feira (15.mai.2018).

As autoridades palestinas denunciaram um "massacre".

Os governos da Irlanda e da África do Sul tomaram medidas semelhantes e também convocaram os embaixadores de Israel para que estes dêem explicações sobre o caso.

"Israel é um estado terrorista", afirmou Recep Erdogan em Londres, acrescentando que o que o país faz é "genocídio".

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a violência das forças armadas israelenses contra os manifestantes palestinos em conversa por telefone com o presidente palestino Mahmoud Abbas e o rei Abudllah da Jordânia.

A Anistia Internacional chegou a mencionar "crimes de guerra". Chamados de "a grande marcha de retorno", os atos têm como principal alvo o aniversário de 70 anos da fundação de Israel, celebrada ontem de acordo com o calendário gregoriano (em abril no calendário judaico), paralelamente à transferência da embaixada dos EUA para a cidade.

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