Ministro da Saúde diz que demissão "não tem sentido"

Rio tira o tapete à bancada do PSD e não exige demissão de Campos Fernandes

A muitos quilómetros de Lisboa, onde a questão surgiu no Parlamento, Rui Rio comentou o repto lançado pelo deputado social-democrata Ricardo Baptista Leite ao ministro da Saúde - sugerindo-lhe que apresentasse a demissão - e demarcou-se desta intervenção.

O ministro Adalberto Campos Fernandes entende que a oposição tem "cavalgado num frenesim populista" e vê o pedido de demissão feito pelo PSD como exercício de campanha eleitoral. Independentemente de o seu partido poder solicitar a demissão de um membro do Governo, Rio limitou-se a frisar: "Pode, mas não é propriamente o meu estilo". "Face ao descalabro em que está instalado o Serviço Nacional de Saúde, a única atitude séria que se podia esperar do senhor ministro da Saúde era a sua demissão hoje, aqui e agora". Em declarações ao Expresso, o também médico Baptista Leite reconhece que o pedido de demissão não constava dos apontamentos preparados para levar ao plenário, mas acabou por fazê-lo na sequência do teor das declarações do ministro. "Se o ministro da Saúde é um mero delegado do ministro das Finanças, é porque temos um primeiro-ministro irresponsável que o permite, que assiste impávido e sorridente à destruição progressiva dos serviços", afirmou, acusando o atual Governo de ter transformado "o Serviço Nacional de Saúde no Serviço Nacional da Doença".

Depois da polémica eleição de Fernando Negrão como presidente da bancada parlamentar ter mostrado um ambiente de desconfiança entre os deputados do PSD e o presidente então recém-eleito, esta dessintonia entre Rio e os parlamentares sociais-democratas mostra que há ainda que afinar a relação entre a direcção e os deputados.

Nestas declarações aos jornalistas, Rui Rio defendeu ainda que tem visitado imensas unidades de saúde e "é claro que a situação está pior do que estava há dois anos". "Quando o PSD quiser fazer um pedido de demissão direta, fará".

A quarta (e, para já, última) intervenção do PSD sobre este assunto foi do vice-presidente da bancada social-democrata, Adão Silva, que falou à comunicação social no Parlamento. Há uma sugestão ao ministro da Saúde para que, em função das circunstâncias, repense a sua presença no Governo.

"A minha opinião, em concreto, é exactamente esta: acho que o Governo tem efectivamente de fazer uma reflexão, quer o primeiro-ministro, quer o ministro das Finanças, quer o ministro da Saúde, e ver o que é que podem fazer no quadro da gestão do Ministério da Saúde".

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