Raquel volta a pedir que STF aceite denúncia contra Aécio

Aécio diz que foi ingênuo

Nos memorais enviados nesta segunda-feira aos ministros da Primeira Turma, órgão responsável pelo julgamento do caso, a procuradora rebateu as argumentações da defesa e pediu o recebimento da denúncia.

As acusações contra o tucano envolvem corrupção passiva e tentativa de obstrução de investigações pela Operação Lava Jato. A PGR afirma que ele solicitou R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, oferecendo como contrapartida uma atuação parlamentar em favor do grupo J&F.

O caso será analisado pela 1ª Turma do STF que, além do relator Marco Aurélio Mello, é formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Rosa Weber e Roberto Barroso. "As imputações de crimes feitas a cada acusado baseiam-se em prova robusta, tais como áudios de gravação ambiental admitida por lei e pela jurisprudência do STF; e em e áudios e vídeos coligidos em ações controladas autorizadas pelo STF", escreve Raquel.

Entre as alegações apresentadas pela defesa, e rebatidas no documento, está a sustentação de que o acordo de colaboração premiada firmado entre a PGR e os principais executivos da J&F seria inválido por falta de voluntariedade dos colaboradores. Também assegura que as provas que integram a denúncia são plenamente válidas. "Ao contrário, o senador vilipendiou de forma decisiva o escopo de um mandato eletivo e não poupou esforços para, valendo-se do cargo público, atingir seus objetivos espúrios", afirmou Raquel Dodge. Para ele, o país vive uma era onde a narrativa que se impõe é a de que "todos os políticos são culpados" e ele seria, portanto, um vítima deste processo.

O STF já garantiu que Joesley Batista e Marcelo Miller tenham acesso a vários documentos, não sendo razoável que se aja de forma diversa com o senador. Na conversa gravada entre Joesley e Aécio, base para a denúncia, eles acertam o pagamento dos R$ 2 milhões em quatro parcelas de R$ 500 mil. Aécio enviou o primo, Fred, e disse: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação".

Aécio Neves abriu o artigo publicado na Folha de S.Paulo, dizendo que foi ingênuo e se penitenciou pelos erros cometidos, afirmando que não cometeu ilegalidades: "Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio por eles, mas não cometi nenhuma ilegalidade".

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