No São João, a quimioterapia de crianças é feita nos corredores

Hospital de São João já tem 22 milhões para usar mas Finanças ainda não autorizaram

O responsável disse que as obras que não dependem dessa verba têm vindo a ser realizadas, nomeadamente o novo centro ambulatório para a pediatria que fica disponível a partir de 15 de Junho.

Apesar das condições e da queixa apresentada à Administração do Centro Hospitalar, os pais das crianças entendem que os profissionais de saúde fazem todos os possíveis para dar o melhor tratamento possível aos mais pequenos.

O presidente do Centro Hospitalar do São João falava aos jornalistas a propósito de queixas de pais de crianças com doenças oncológicas sobre a falta de condições de atendimento dos seus filhos em ambulatório e também na unidade Joãozinho para onde as crianças são encaminhadas quando têm de ser internadas.

O presidente do Centro Hospitalar de São João (CHSJ) admitiu sentir-se "maltratado", tendo em atenção que o hospital São João é um dos melhores do país em termos de cuidados prestados aos doentes e com as contas equilibradas. "A minha lealdade é tripla e espero que não conflituem", sublinhou. No entanto, a construção da nova ala pediátrica está parada há dois anos. Tive informação, há cerca de três meses, do ministro da Saúde, que havia as verbas disponíveis para a construção.

O Ministério da Saúde esclareceu que esse dinheiro será desbloqueado em breve, não avançando, no entanto, uma data concreta e remeteu mais esclarecimentos para o hospital.

No hospital de São João, as crianças estão a receber tratamento de quimioterapia nos corredores. Segundo disse uma mãe ao JN, depois dos tratamentos, as crianças que precisam de ser internadas e ficar em isolamento ficam à espera "quatro a cinco horas por uma ambulância, sem condições higiénicas, que transporte as crianças do edifício central do hospital para o Joãozinho".

Outra mãe, Marlene Pinho, refere que se a situação na zona de quimioterapia no ambulatório "é caótica", quando é preciso internar as crianças a situação é mil vezes mais grave.

40% do hospital continua "com as instalações de origem, que são de 1959", avisa o presidente do Conselho de Administração.

O Hospital de S. João, no Porto, tem 22 milhões de euros para as obras necessárias na ala pediátrica mas que não podem ser usados por falta de autorização das Finanças, segundo a edição desta quarta-feira do 'Jornal de Notícias', que cita fontes ligadas ao processo. As instalações do internamento são miseráveis, passo do indigno para o miserável.

"As crianças acabam de fazer quimioterapia e têm de partilhar os elevadores com os caixotes de lixo".

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