Executivo da Netflix diz que não levará filmes ao Festival de Cannes

Elle Fanning Nicole Kidman Sofia Coppola e Kirsten Dunst

Ted Sarandos, o director de conteúdos do serviço de streaming, alegou à Variety que não teve outra opção face às regras impostas pelo Festival. A seleção dos dois títulos não caiu bem para os exibidores franceses, que protestaram junto ao diretor artístico de Cannes, Thierry Fremaux.

Questionado sobre a sua presença no festival, Sandoros diz que não estará presente, mas que certamente haverá representantes da empresa presentes, até porque a Netflix continua interessada em comprar os direitos de filmes em competição em Cannes para a plataforma: "Nós não descriminamos dessa maneira".

"Há um risco ao tomarmos essa direção e ter nossos filmes e cineastas sendo tratados com desrespeito no festival".

"Ash is purest white", de Jia Zhang-Ke, "Les filles du soleil (Girls of the Sun)", de Eva Husson, "Plaire Aimer et Courir Vite", de Cristophe Honoré, "Netemo Sameteno", de Ryusuke Hamaguchi, "Le Livre d'Image", de Jean-Luc Godard, "Dogman", de Matteo Garrone, "En guerre (At War)", de Stéphane Brizé e "Todos Lo Saben", de Asghar Farhadi - filme com Penélope Cruz que abrirá o festival - são os restantes filmes que vão lutar pela Palma de Ouro. Eles ditaram as regras.

Sarandos criticou acentuadamente Cannes e o seu director, referindo que a regra imposta vai contra o espírito de qualquer festival de cinema no mundo. "Os festivais existem para ajudar que os filmes sejam descobertos e para que assim consigam distribuição", argumentou. Se fizéssemos isso, teríamos de atrasar o filme perante os subscritores franceses durante três anos para estarmos de acordo com a leia francesa. Sob essas regras, não poderíamos estrear os nossos filmes dia-e-data para o mundo como já fizemos com quase mais de 100 filmes durante os últimos anos.

O passe dará acesso aos filmes da seleção oficial, que inclui os filmes em competição e fora de competição e aqueles projetados nas seções Um Certo Olhar e Cannes Classics, bem como nas sessões que são realizadas na praia.

No ano passado, a Netflix optou por não distribuir para os cinemas o seu filme "Okja" para não retardar a exibição entre seus assinantes, que esteve na corrida à Palma, o que gerou polémica. Pedro Almodóvar, na altura presidente do júri, defendeu que filmes que não são lançados nas salas de cinema não deveriam ser considerados para o Palme d'Or. Quem assistiu à exibição dos filmes nas salas de cinema de Cannes diz que assim que o logótipo da Netflix apareceu no ecrã, o público se dividiu entre aplausos e vaias.

Concordas com a decisão de Ted Sarandos?

Notícias relacionadas: