Brasil está menos vulnerável a choques internos ou externos, diz Ilan Goldfajn

Marcelo Camargo  Agência Brasil

A ideia é ter no mercado alternativas a esse tipo de compra, segundo afirmou hoje (10) o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos, no Senado.

Marcelo Camargo/Agência BrasilA taxa Selic está, atualmente, em 6,5% ao ano - o menor patamar desde 1986. O novo corte em maio, se ocorrer, será o 13º seguido.

Segundo Goldfajn, os próximos passos da política monetária, ou seja, da definição de juros para atingir as metas predeterminadas de inflação, "continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".

Na fase de debates, os senadores pressionaram Ilan Goldfajn, alegando que consumidores e empresas ainda não sentiram os efeitos da inflação baixa e da taxa de juros básica em queda. Em doze meses até março, a inflação soma 2,68%. O sistema prevê uma meta central, que é de 4,5% em 2018, e um intervalo de tolerância, com um valor mínimo (piso) e máximo (teto) para a inflação.

Quando a inflação está alta, o BC tende a subir os juros. Já quando a inflação está baixa, como agora, ocorre o contrário: o BC costuma cortar a Selic para incentivar o consumo.

O Banco Central não está satisfeito com o ritmo de queda dos juros para o consumidor no Brasil. Por isso há pressões para que o Copom mantenha o processo de redução da Selic. O spread é a diferença entre a taxa que o banco paga ao tomar um empréstimo e a que cobra ao conceder crédito. Queremos que a redução seja mais rápida, para que tenhamos logo crédito mais barato para famílias e empresas. "Esse é um assunto da maior importância para nós, e o Banco Central tem se empenhado na implementação de ações para baixar o custo do crédito", declarou ele.

O presidente do BC acrescentou que a instituição tem atuado para enfrentar essas causas: custo operacional e regulatório do sistema financeiro, a falta de boas garantias, a necessidade de mais informação no sistema, os subsídios cruzados (parte dos clientes bancários, como os depositantes de caderneta de poupança e tomadores de crédito com juros mais altos, estariam bancando empréstimos mais baratos, como o imobiliário e o rural), os altos compulsórios [parte do dinheiro depositado que os bancos são obrigados a recolher ao BC] e a necessidade de estimular a concorrência.

Sem citar a experiência do governo Dilma Rousseff, em que as instituições oficiais tiveram esse papel, o presidente limitou-se a dizer que não agirá do mesmo modo. "Temos observado queda dos juros bancários desde o fim de 2016".

- Temos que criar instituições que dependem menos de pessoas e mais de regras - argumentou.

Ele acrescentou que, caso seja aprovada pelo Congresso Nacional, a autonomia do BC representará um "avanço institucional importante, com ganhos para o país, através da queda do risco pais e da queda da taxa de juros estrutural".

Notícias relacionadas: