Associações acusam YouTube de recolher dados sobre crianças para fins publicitários

YouTube e Google acusados de práticas ilegais

Associações norte-americanas acusaram esta segunda-feira o YouTube e a empresa Google, detentora daquele 'site' de partilha de vídeos, de recolher dados pessoais de crianças e de os utilizar para direcionar os anúncios de publicidade, que consideram práticas ilegais. Todas essas informações foram coletadas "sem informar previamente os pais".

Vinte e três organizações de defesa dos direitos digitais e de proteção da infância denunciaram as empresas à FTC, a Comissão Federal de Comércio, e pediram uma investigação sobre tais práticas.

Estes grupos pretendem não apenas que a Google mude a forma como gere o conteúdo e recolhe informação de crianças, mas querem também que o Youtube pague uma multa de biliões de dólares devido ao facto de ter alegadamente conseguido lucros a partir dos hábitos de crianças. O YouTube inclusive informa que o site é explicitamente "não destinado a menores de 13 anos".

O motor de busca mais famoso da internet se defendeu das acusações alegando que a plataforma YouTube é somente para maiores de 13 anos, uma justificativa que os denunciantes não veem com bons olhos.

De fato, o Google tem um aplicativo dedicado exclusivamente às crianças chamado YouTube Kids, que foi lançado em 2015 e desenvolvido para exibir conteúdo e anúncios apropriados às crianças.

"Tal com o Facebook, a Google colocou os seus recursos a gerarem lucros em vez de protegerem a privacidade", disse Jeff Chester do Centro da Democracia Digital. Além disso, há ainda o YouTube Kids, app com suporte apenas para conteúdos direcionados às crianças.

"O Google tem a responsabilidade de cumprir com a Coppa e garantir que as crianças possam ver de forma segura os programas desenhados e promovidos para elas".

Nesse caso específico, o Facebook reconheceu seus erros e, desde então, Zuckerberg e outros diretores tiveram que prestar esclarecimentos à imprensa em várias ocasiões sobre mudanças futuras em suas políticas referentes à transparência e à privacidade dos usuários e em relação às chamadas fake news (notícias falsas, em inglês).

Contactada pela agência France Press, um porta-voz da empresa referiu que o grupo ainda não teve conhecimento da queixa, mas garantiu que proteger as crianças e as famílias é uma prioridade. "Leremos a reclamação cuidadosamente e avaliaremos se há coisas que podemos fazer para melhorar".

"Como o YouTube não é voltado para crianças, fizemos grandes investimentos para criar o aplicativo YouTube Kids, uma alternativa especialmente destinada às crianças", disse o porta-voz.

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