"Feliciano Duarte nunca se apresentou em Berkeley", confirma professora

Um dia depois de o semanário Sol ter noticiado que Feliciano Barreiras Duarte teve de rectificar o seu currículo académico para retirar o item que o indicava como professor convidado (visiting scholar) na Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, o novo secretário-geral do PSD veio justificar-se em declarações ao Diário de Notícias.

Ao jornal Sol, a Universidade norte-americana desmentiu que Duarte figure nos registos de professores convidados. "É possível que tenha vindo visitar um dos nossos departamentos, mas não temos qualquer registo disso, e nessa visita não terá sido certamente considerado um 'visiting scholar', na medida em que isso se trata de uma designação formal".

Na descrição do percurso profissional, Barreiras Duarte diz-se visiting scholar da Universidade Pública de Berkeley, EUA, "desde Junho de 2009".

"Eu disse que era de Berkeley porque era verdade", constata ainda Barreiras Duarte ao Observador, embora nunca tenha efectuado qualquer trabalho na instituição, nem sequer lá tenha ido.

O documento apresentado pelo Dr. Feliciano Duarte com a minha assinatura, exarado a 30 de janeiro de 2009, certifica apenas e somente a sua inscrição para, no âmbito do seu doutoramento em Ciência Política com a tese "Políticas Públicas e Direito da Emigração", vir a realizar uma estadia na Universidade de Berkeley com o estatuto de "visiting scholar", bem como a minha disponibilidade para assumir a orientação dos seus estudos durante essa estadia. "Está a concluir o doutoramento com uma tese sobre Políticas Públicas e Direito da Imigração em parceria com a Universidade Pública de Berkeley, Califórnial, EUA, com o estatuto de visiting scholar", reza, no interior de ambos os livros. A SÁBADO tentou contactar Barreiras Duarte, sem sucesso.

Em Berkeley, segundo os estatutos da universidade, para se obter o estatuto de 'visiting scholar' são necessários requisitos como a permanência na Universidade para desenvolvimento da respetiva investigação por mais de um mês, e também a apresentação de um application form - que corresponde a um certificado de candidatura. Assinado pela mencionada professora Deolinda Adão. "Feliciano Barreiras Duarte nunca cá esteve". Ao telefone da Califórnia, Deolinda Adão nega também a autenticidade do documento.

Garoupa defende, por isso, que "deve ser investigado pelo Ministério Público o dito documento. Não tenho poder nem estatuto para declarar o estatuto de 'visiting scholar", acrescenta Deolinda Adão. A investigadora disse ainda que a carta jamais podia ter sido escrita em português porque não é essa a prática da instituição. "Feliciano Barreiras Duarte nunca cá esteve", termina, ainda ao SOL, Deolinda Adão, que não descarta avançar com um processo judicial contra o político por este utilizar o seu "bom nome para proveito próprio". Sem ser citado, o Diário de Notícia escreve que Feliciano "tem provas de todo o processo, desde o convite por parte da professora Deolinda Adão" ao primeiro convite feito por Manuel Pinto de Abreu.

"O estatuto [de 'visiting scholar'] acabou por oficialmente nunca ser tornado realidade".

Além de secretário de Estado, Feliciano Barreiras Duarte foi várias vezes deputado eleito por Leiria, chefe de gabinete de Passos Coelho, presidente da Assembleia Municipal do Bombarral e de Óbidos e continua a ser vice-presidente da concelhia do Bombarral.

"A vinda cá não tem a ver com isso, ele não estava na delegação, houve um momento que disseram que estava, mas nunca esteve", afirmou. A preparação de material académico, diz o ex-secretário de Estado, é que "sim, foi produzida".

Após o convite, Barreiras Duarte alega que "só não foi para Berkeley por motivos familiares", como refere ao Observador. O ex-secretário de Estado num Governo PS sublinha que "é normal que um mestrando se esqueça de todos os dados do seu currículo ou que se engane numa nota final", mas releva que "fazer referência a uma universidade que nunca frequentou é grave".

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