Notícia falsa se espalha 70% mais rápido que a verdadeira

Notícias falsas se espalham 6 vezes mais rápido que as verdadeiras

A presença de bots nas redes sociais influencia muito menos a disseminação dessas informações do que se imaginava. Mas qual é exactamente a sua dimensão?

O estudo, que foi publicado no jornal científico Science, constatou que as notícias falsas (fake news) se propagam mais rápido do que as verdadeiras: elas têm 70% mais chance de serem compartilhadas e levam seis vezes menos tempo, em média, para alcançar os primeiros 1.500 leitores no Twitter, rede social cujo tráfego foi analisado pelos pesquisadores. Isto significa que as notícias falsas se espalham mais que as verdadeiras porque os humanos - e não os robôs - têm mais probabilidade de disseminá-las, de acordo com Aral.

O estudo completo pode ser lido na Science. Essa informação é depois retwittada por outros utilizadores. Como esta, há muitas cascatas pelo Twitter.

O levantamento examinou cerca de 126 mil histórias compartilhadas por aproximadamente 3 milhões de pessoas na rede social entre 2006 e 2017. Essas cascatas foram depois analisadas por seis sites de desconstrução de mitos e boatos como o Snopes e o PolitiFact, que as classificaram como informação falsa, verdadeira ou mista (parcialmente verdadeira ou parcialmente falsa). No final, a concordância dessa classificação foi entre 95% e 98%.

Foram analisados conteúdos como os do sismo no Haiti em 2010, o anúncio da descoberta do bosão de Higgs em 2012 e o atentado na maratona de Boston em 2013.

- Isso afastou uma concepção rotulada cada vez mais para uso político, em que a informação é verdadeira ou falsa segundo a opinião de uma pessoa, do que para se referir à real veracidade ou falsidade da informação - lembra.

O que descobriram? Perceberam que a informação falsa viaja mais e mais depressa e de forma mais intensa do que a verdadeira. Eram rumores e notícias falsas sobre política, economia e ciência, envolvendo assuntos como as eleições presidenciais nos EUA, os ataques terroristas de 2015 em Paris e conspirações pseudocientíficas sobre diversos temas. E, enquanto a informação verdadeira raramente se espalha por mais de 1000 pessoas, as cascatas da informação falsa mais populares normalmente atingem entre 1000 e 100 mil pessoas. Obviamente não entramos na cabeça das pessoas que produzem ou replicam essas informações, só estamos no começo do processo. "A mentira difunde-se mais e mais depressa apesar destas características, não por causa delas", assinala-se no comunicado.

Também se estudaram as emoções provocadas pelas informações falsas. Os resultados mostram que as pessoas comparitlham mais no Twitter as informações que contêm novidades.

Diz o velho ditado que "a mentira tem pernas curtas", mas nesses tempos de internet parece que a situação se inverteu, pelo menos no mundo digital. Eles dizem ainda que empresas como Google, Facebook e Twitter têm "responsabilidade ética e social que transcende as forças do mercado" e devem contribuir para a pesquisa científica sobre as notícias falsas. "Podemos tentar intervenções como rotular ou sinalizar as 'notícias' que são falsas; podemos reduzir os incentivos económicos usados para espalhar as 'notícias' falsas reduzindo o seu alcance; ou poderíamos também ajustar o feed de notícias e os algoritmos de tendências para atenuar a difusão das 'notícias' falsas. Precisamos definitivamente de mais investigação, de mais transparência e educação para o público", considera Sinan Aral. "O resultado que realmente nos surpreendeu no estudo é que os robôs não são determinantes como pensávamos para a divulgação dessas notícias", disse Aral.

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