Durão acusado de fazer "lobby" pelo Goldman Sachs em Bruxelas

Durão Barroso ex-presidente da Comissão Europeia
7/11- New Realities- 18h458/11- Government and entrepreneurs a marriage made in hell?- 10h20

"Barroso, do Goldman Sachs, no Silken Berlaymont Hotel em Bruxelas, a 25 de Outubro de 2017", reconhece o comissário de origem finlandesa, que ocupa as pastas do emprego, crescimento, investimento e competitividade.

A confirmação da reunião por parte do vice-presidente da Comissão responsável pelo Emprego, Crescimento, Investimento e Emprego já levou a ALTER-EU, uma coligação de organizações não-governamentais para a transparência dos lóbis, a solicitar uma reavaliação, pela Comissão Europeia, às atividades do seu antigo presidente na Goldman Sachs, uma vez que José Manuel Durão Barroso se comprometeu a não desempenhar o papel de representante de interesses (lobista) pelo banco de investimento. A revelação foi feita por Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão Europeia, através de uma carta enviada a uma activista da organização Corporate Europe Observatory. "Esta reunião decorreu 36 meses depois da partida de Barroso da Comissão, na época o limite era de 18 meses", afirmou o porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas.

"Desde o início do seu tempo connosco [Durão Barroso] recusou-se a representar o banco em qualquer interação com funcionários da UE", assegura o banco que adianta que "quaisquer reuniões desse tipo realizaram-se a título pessoal e resultam da sua longa carreira de serviço público", esclarece o Goldman Sachs em comunicado. "O senhor Barroso e eu fomos os únicos participantes neste encontro, no qual foram discutidos sobretudos temas na área do comércio e defesa", escreve.

Katainen apontou que "a reunião foi agendada a pedido do sr.Barroso e acordada por telefone" pelo seu gabinete.

"Normalmente, não tomo notas nos encontros e não o fiz nesta reunião. Por essas razões, não há documentos sobre este evento", acrescenta o comissário europeu.

Durão acusado de fazer
Durão acusado de fazer "lobby" pelo Goldman Sachs em Bruxelas

A terminar, o comissário garante que "a transparência é uma prioridade para a Comissão Europeia", e lembra que o executivo liderado por Jean-Claude Juncker adotou um novo código de conduta para membros da Comissão, em mais um esforço para reforçar a transparência.

A contratação do ex-primeiro-ministro português pelo gigante da finança gerou especial polémica por a Goldman Sachs ter sido um dos principais responsáveis pela ocultação da dívida pública grega.

De resto, a carta de Durão esteve também na base da avaliação, já a 31 de outubro do mesmo ano, do comité de ética ad hoc da Comissão Europeia, que estimou que o antecessor de Juncker não violou disposições dos tratados e observou os deveres de integridade e discrição, embora pudesse ter dado mostras de mais "sensatez".

Durão Barroso é consultor e presidente não-executivo do banco de investimento.

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