Randolfe Rodrigues pede na Justiça saída de Segovia do comando da PF

Em memorando à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, da PF, os delegados do Grupo de Inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal (STF), o GINQ, afirmam que 'não admitirão' interferência na apuração contra o presidente Michel Temer (PMDB) ou em qualquer outra. As afirmações do chefe da Polícia Federal soaram de forma negativa nos bastidores, colocando em risco a situação de Temer.

"Tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal, determino a intimação do Senhor Diretor da Polícia Federal, delegado Fernando Segovia, para que confirme as declarações que foram publicadas, preste os esclarecimentos que lhe pareçam próprios e se abstenha de novas manifestações a respeito", diz o despacho de Barroso. A fala de Segovia foi interpretada como uma mea-culpa do diretor da corporação, mas além disso não serviu para acabar com a crise iniciada com a entrevista divulgada na última sexta-feira, 9. Ele reforçou, no texto enviado a servidores da PF, que "o inquérito é conduzido pela equipe de policiais com toda autonomia e isenção".

Advogados que acompanham as investigações observam que há no episódio uma supervalorização do poder de Segovia para proteger Temer.

Fernando Segovia, que assumiu o posto em novembro do ano passado, declarou que a empresa não teria se beneficiado diretamente, porque o decreto não teria alcançado seu contrato. Em entrevista para o portal "Estadão", o diretor da Associação Nacional dos Delegados Federais (ADPF), Edvandir Paiva, avaliou que Segovia expôs uma crise de desconfiança na PF. A reunião entre os dois irá acontecer nesta próxima segunda-feira, 19 de fevereiro.

Nesta quarta, após encontro com Fernando Segovia, Paiva relatou que a "impressão" que teve ao conversar com o diretor da PF é de que ele se "arrepende de ter seguido por determinados caminhos".

Em nota, Segovia afirmou que "em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado". Para o diretor, em casos de interferência de investigações, o delegado é obrigado a relatar isso no inquérito para que sejam alcançados os "efeitos esperados pela lei". Além de intimar Segovia, o ministro pediu para o Ministério Público Federal (MPF) se manifestasse, tomando providências cabíveis sobre o caso.

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