Jacob Zuma não deixa a presidência da África do Sul

Professor vê desvio de Zuma dos verdadeiros ideais do apartheid

"Ninguém foi capaz de provar algo que eu fiz de errado", declarou Zuma à rede de TV estatal do país. Segundo ele, a troca da liderança do CNA não significa a troca na liderança do país.

O poder do antigo chefe de Estado tinha vindo a diminuir desde que Ramaphosa lhe sucedeu, em dezembro, na liderança do ANC. Com a resignação de Zuma, o líder do partido fica agora bem posicionado para se tornar chefe de Estado naquele país até às eleições do próximo ano.

"Levou 13 horas, mas o Comité Executivo Nacional do ANC decidiu revogar o presidente Jacob Zuma como chefe de Estado", segundo o jornal The Times, citando fontes não identificadas.

Na opinião do especialista em política sul-africana Richard Calland, da Universidade de Cidade do Cabo, a saída de Zuma daria a Ramaphosa "a chance de reconstruir governo e partido ao mesmo tempo", disse no "Guardian".

Na entrevista, Zuma considerou "injusta" a decisão do ANC de exigir a sua demissão, realçando que o partido não apresentou "razões claras" para tal.

O presidente de 75 anos está enfraquecido após uma série de escândalos de corrupção envolvendo seu nome.

Alguns dentro do CNA e a oposição dizem que a família Gupta, amigos de Zuma, usou seus vínculos com o presidente para ganhar contratos estatais e influenciar as nomeações do gabinete.

Essa não é a primeira vez que um presidente sul-africano é pressionado a se demitir.

Nos casos que alegadamente envolvem o Presidente da República, está causa sobretudo determinar a extensão de eventuais crimes cometidos pelos três irmãos Gupta, família de origem indiana que domina os negócios na África do Sul e que está também a ser investigada pelos serviços secretos do FBI.

As instituições do Estado estão agora mandatadas para colocar em prática "os planos de emergência, a ajuda imediata e as medidas de construção", como refere um decreto assinado pelo chefe do Centro Nacional de Gestão de Situações de Emergência, Mmaphaka Tau.

Ele enfrenta um indiciamento de 783 acusações de corrupção envolvendo 30 bilhões de rand (agora US$ 2,5 bilhões) num acordo de armas do governo que ocorreu no final da década de 1990, quando ele era vice-presidente.

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