Três últimos anos foram os mais quentes, diz ONU

De acordo com a agência da ONU, os últimos três anos foram os mais quentes que se tem registro, o que é um sinal claro da continuidade das mudanças climáticas.

Os dados estão sendo publicados nesta quinta-feira, 18, pela Organização Meteorológica Mundial, pela NASA e outras cinco agências espaciais.

Os últimos três anos foram os mais quentes desde que há registo.

Sob o efeito da corrente equatorial El Nino, que foi particularmente intensa, 2016 lidera com mais 1,2 graus centígrados (ºC) do que a média da época pré-industrial.

O aquecimento global a longo prazo está a ser provocado pelo aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera.

O período usado como referência para analisar as condições existentes na era pré-industrial é de 1880 a 1900, segundo a ONU.

O ano de 2017 foi contudo o mais quente, se for descontada a contribuição do fenómeno El Niño no Oceano Pacífico, registado em 2016 e em 2015 e que fez aumentar as temperaturas globais. No século 21, ocorreram 17 dos 18 anos mais quentes de que se tem notícia. "Este último foi particularmente acentuado no Ártico", com a fusão acelerada do gelo, declarou, com tom alarmista, o secretário-geral da OMM, o finlandês Petteri Taalas.

E a temperatura média em 2017 foi de cerca de 0,46ºC superior à media calculada para o intervalo entre 1981 e 2010.

"A temperatura recorde deveria atrair a atenção dos dirigentes mundiais sobre a amplitude e a urgência dos riscos que as alterações climáticas representam para as populações, ricas e pobres, no mundo", estimou Bob Ward, do Instituto de Investigação Grantham sobre Alterações Climáticas, em Londres.

Donald Trump anunciou a retirada dos EUA do Acordo de Paris, assinado no final de 2015, no qual a comunidade internacional se comprometeu a conter o aquecimento global "bem abaixo" dos 2ºC.

"A temperatura reconta uma pequena parte da história e 2017 também é caracterizado pelas condições meteorológicas extremas em muitos países em todo o mundo", finalizou. "Um novo recorde vai ocorrer de novo, nos próximos dois ou três anos", prevê Omar Baddour, cientista da OMM.

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