Independentistas querem Puigdemont como presidente da Catalunha

Artur Mas

JuntsXCat e ERC terão alcançado, na terça-feira à noite, um compromisso relativo ao primeiro ponto, e estarão a estudar todas as possibilidades para levarem para a frente a tomada de posse de Carles Puigdemont, como líder do novo executivo catalão. Puigdemont enfrenta ordem de prisão na Espanha por insubordinação e rebelião. Já os partidos independentistas, juntos, conseguirão obter maioria absoluta e formar um governo em coligação, o que levou o Ciudadanos, para já, a afastar-se das negociações para a formação de uma coligação.

Os separatistas agora argumentam que, uma vez que a lei eleitoral permitiu que os investigados pudessem se candidatar, devem também ter o direito de exercer seus cargos no Parlamento. O governo prometeu investimentos de 4.200 milhões de euros na Catalunha até 2020, mas a região reivindicou mais poderes.

O acúmulo de acusações contra os líderes separatistas aponta para um futuro instável na Catalunha, que em 1° de outubro votou em um plebiscito sobre sua independência.

Não há nenhum artigo do Regimento Interno que impeça a investidura à distância de Puigdemont.

Em outubro de 2016, Forcadell foi alvo de um inquérito por "desobediência", com o Tribunal Constitucional a exigir que ela não permitisse a apresentação de leis ligadas ao processo de secessão no parlamento catalão.

O representante do Juntos Pela Catalunha, Jordi Xucla, disse na quarta-feira à cadeia de televisão RTVE que o seu partido e a Esquerda Republicana da Catalunha apoiarão o retorno de Puigdemont ao cargo, do qual foi retirado forçadamente em setembro do ano passado. A sessão será presidida pelo deputado de maior idade e secretariada pelos dois deputados mais jovens.

Carles Puigdemont reuniu com líder da ERC em Bruxelas para garantir o regresso ao poder e um parlamento de maioria independentistas.

Somadas, as duas siglas detêm 66 cadeiras na Casa de 135 deputados. Em caso de empate, há novas votações e se, depois de quatro tentativas não houver desempate, assume o candidato do partido com mais deputados eleitos. E aí começa a contar o relógio - o líder da Mesa iniciará contactos com os partidos e terá dez dias úteis para marcar o primeiro debate de investidura. A investidura ainda não tem data marcada, mas a primeira votação terá de ocorrer até 31 de janeiro.

Chegou a falar-se da ideia de ser o cabeça de lista dos Comuns, Xavier Domènech, o próximo presidente do Parlamento catalão, mas este acordo afasta essa hipótese. O governo central, por sua vez, dissolveu a administração catalã e convocou eleições antecipadas para dezembro.

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