Fernando Pinto deixa TAP e entra Antonoaldo Neves

Antonoaldo Neves assume comando da TAP Air Portugal

Quanto ao Estado não deverá ver a sua posição alterada com estas mudanças na administração da companhia aérea nacional.

Em 19 de outubro, em Lisboa, quando a mesma pergunta foi feita a David Neeleman, empresário que integra o consórcio Atlantic Gateway (que, por sua vez, com Humberto Pedrosa, detém 45% da TAP), este respondeu que - caso Fernando Pinto queira manter-se - "há sempre um lugar na TAP".

Antes de entrar na administração da TAP, o novo presidente da TAP, que tem dupla nacionalidade - brasileira e portuguesa - foi presidente-executivo da Azul Linhas Aéreas, de David Neeleman. Foi também responsável pela expansão internacional da Azul, com foco nos Estados Unidos da América, tendo tido ainda um papel preponderante no processo de investimento da HNA, tanto na Azul como na TAP. Isso foi feito há dois anos. Tal como o presidente executivo de saída, também o futuro tem avós portugueses, com origem, um deles, em Oliveira de Azeméis.

Com 42 anos de idade, começou a carreira na Odebrecht, como engenheiro de Montagem de Obras Eletromecânicas.

Sobre Fernando Pinto, o sindicalista do SITAVA diz que passou periodos dificeis na TAP mas soube perceber e respeitar a empresa. É hoje também uma das maiores empregadoras do País. Saio com a certeza de que a empresa está em uma rota de crescimento. O nosso caminho é crescer.

Quanto a Fernando Pinto, continuará com ligação à TAP nos próximos dois anos, "enquanto assessor", uma informação que o próprio fez chegar aos trabalhadores por email.

Não é assim, nem jamais será, um adeus. "É altura de fazer um balanço e ele é muito positivo".

"A TAP é hoje três vezes maior do que quando eu aqui cheguei e cresceu muito também nestes dois anos de privatização". Devido a "constrangimentos de ordem financeira que impunham a privatização", a TAP foi obrigada a sobreviver por 15 anos: "sobreviver à falta absoluta de capital, às imensas flutuações cambiais, à reestruturação da frota e, por fim, à chegada das low cost (baixo custo)".

O projecto "Rise" foi apresentado por Fernando Pinto com o objectivo de tornar a empresa mais competitiva. "A meta que tinha imposto a mim e à minha equipa foi finalmente atingida", disse aos colaboradores. Foram 15 anos de sobrevivência. "Aliás, fui eu mesmo quem o convidou para nos ajudar no programa de crescimento que lançámos há dois anos, o que lhe permitiu conhecer detalhadamente a companhia", acrescenta. "É um profissional com grande know how no setor, com experiência enquanto consultor da Mckinsey e membro do Conselho de Administração da empresa brasileira de aeroportos, a convite do Estado brasileiro", destacando, ainda, que seguramente Neves continuará com o atual processo de crescimento.

Curiosamente ou coerentemente, a mesma mensagem que hoje transmitiu aos trabalhadores, em que escreveu: "o meu sentimento hoje é de absoluta realização profissional e pessoal. De missão cumprida. A empresa está no bom caminho e sinto-me plenamente realizado", exaltou Fernando Pinto no comunicado. "E muito em breve terá novos aviões", enumera, por fim, o dirigente. Num encontro com jornalistas, sublinhou que a decisão seria dos acionistas e que o que viesse a ser definido nessa matéria seria sempre "o melhor para a TAP" e "de comum acordo".

Mas as novidades não acabam com a saída de Fernando Pinto do cargo de CEO. Sou um admirador incondicional.

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