Governo autoriza IGCP a emitir obrigações até 20 mil milhões de euros

Bancos e fundos de pensões ficam com mais de metade da emissão sindicada

"São ótimas notícias para o país que consegue assim fazer o rollover da dívida, financiando-se a custos cada vez mais baixos", acrescentou o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

O documento prevê um montante de 15 mil milhões de euros através da emissão bruta de OT, combinando sindicatos e leilões, assegurando emissões mensais.

O Tesouro português avançou nesta quarta-feira com uma emissão de dívida a 10 anos que resultou na colocação de quatro mil milhões de euros mas atraiu uma procura equivalente a 17 mil milhões, o que permitiu que o custo para o Estado tenha ficado ligeiramente acima de 2%.

"Tão positivo como a taxa foi a forte procura", considerou Filipe Silva. "Daí a procura ter sido muito superior à oferta", comentou o especialista. Falta apenas a oficialização da operação pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP).

O IGCP está ainda autorizado a emitir "outra dívida pública fundada", ou seja, de longo prazo, até um montante máximo de 10 mil milhões de euros.

A melhoria dos ratings da Standard & Poor's e da Fitch, nos passados meses de setembro e dezembro, para níveis acima de lixo permitiram ao Tesouro atrair investidores mais conservadores, como bancos, fundos de pensões e seguradoras. Mais de metade da emissão foi absorvida por estas entidades, que tendem a deter a dívida por prazos mais longos, o que permite uma maior estabilidade no mercado, segundo dados da operação divulgados pelo IGCP. Já os fundos de cobertura de risco, que têm estratégias mais agressivas e de curto prazo e podem desestabilizar o mercado de dívida com as suas movimentações perderam importância no financiamento do Estado.

Dia 21 de fevereiro haverá novos leilões, com a emissão de BT com montante indicativo entre 1.000 e 1.250 milhões de euros, sendo a seguinte emissão a 21 de março, com valores entre 1.250 e 1.500 milhões de euros.

Citando uma fonte conhecedora do processo que pediu para não ser identificada, a Bloomberg adianta que a emissão sindicada de dívida a dez anos, com maturidade em outubro de 2028, deverá ser lançada "num futuro próximo, dependendo das condições do mercado". No entanto, isto acontece porque a emissão de uma nova linha de obrigações faz com que os investidores peçam um prémio adicional. Pretende garantir entre 1,5 mil milhões e 1,75 mil milhões em bilhetes do Tesouro.

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