Golpe fracassa e S&P rebaixa nota do Brasil

Meirelles lamentou a não aprovação das medidas fiscais pelo Congresso e Maia reagiu

A três posições do nível que favorece os investimentos, o Brasil continua sendo considerado mau pagador pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P), que acaba de rebaixar a nota do nosso país.

No entanto, agência modificou a perspetiva de "negativa" para "estável", isto é, sem previsões de reduções futuras na nota, devido ao "perfil externo comparativamente sólido do Brasil e à flexibilidade e credibilidade de sua política monetária e cambial".

O rebaixamento pela S&P era esperado nas últimas semanas, à medida que falharam as negociações no Congresso para aprovação da reforma da Previdência no final do ano passado.

"Como resultado, estamos reduzindo nossas classificações de crédito soberano de longo prazo no Brasil para 'BB-' de 'BB'".

"Temos bons formuladores de políticas no momento, mas eles não conseguiram implementar a maior parte da consolidação fiscal", disse. O que tem para acompanhar é se isso (rebaixamento) vai funcionar como um incentivo para aprovar a Previdência ou se será um 'agora deixa pra lá'.

Em maio do ano passado, a agência chegou colocar o Brasil em observação para um iminente rebaixamento após as delações dos irmãos Batista envolvendo Temer, mas em agosto retirou o alerta e manteve o rating do país em moeda estrangeira e local em "BB" e em perspectiva negativa. A declaração de Meirelles, feita antes da divulgação da nota, foi criticada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Continuamos nossos esforços a favor das reformas e do Brasil", argumentou Maia. "Acho que não é um incentivo", afirmou Gonçalves. A S&P deve ter tido a percepção de que de sexta-feira para cá piorou (a cena política).

A perspectiva do rating é 'estável', o que significa que a nota não deve sofrer novos rebaixamentos nos próximos meses. "Mas o grande efeito mesmo ocorre quando um país perde o grau de investimento".

"O cenário de mercado não muda muito".

A ênfase da S&P às incertezas relacionadas com as eleições presidenciais deste ano mostram que o país precisa de continuidade e governabilidade, avaliou Alberto Ramos, diretor de pesquisas da América Latina do Goldman Sachs.

"Muitos reclamam da minha dancinha, mas a verdade é que muitos brasileiros insistem em dançar de olhos vendados na beira do precipício".

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, afirmou que o rebaixamento "já estava no horizonte como uma possibilidade", em razão do processo de votação da Previdência.

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