Força-tarefa reitera que considera recibos falsos — Lula

Paulo Whitaker  Reuters

O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao juiz federal Sérgio Moro que declare como falsos os recebidos de aluguel apresentados pela defesa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no processo em que investiga o suposto pagamento de propina ao petista, pela empreiteira Odebrecht. Segundo a acusação, o imóvel, comprado por um laranja, Glaucos da Costamarques, era ocupado pelo presidente, que nunca pagou aluguel pelo uso. Ele alega que passou a receber o valor do aluguel após 2015.

Costamarques afirmou à Justiça que recebeu a visita de advogados de Lula para que ele assinasse recibos entre 2011 e 2015.

O MPF lembra ainda que grampos telefônicos mostram que Costamarques e o escritório do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula e contratante do contador se falaram 12 vezes entre 25 de novembro e 17 de dezembro, quando o empresário estava internado no hospital. Para os procuradores, o depoimento do contador é "inverossímil".

Os questionamentos acerca dos comprovantes de pagamento foram levados pela Procuradoria ao juiz Sérgio Moro após o surgimento de suspeitas sobre as condições nas quais os recibos foram confeccionados.

O documento também cita como prova registros de dez ligações telefônicas entre Costamarques e Teixeira no período da internação, o que indicaria que estariam combinando as assinaturas.

(VII) Esse mesmo documento apócrifo não corresponde à realidade dos pagamentos feitos por D. Marisa, segundo os extratos bancários juntados aos autos, reforçando a sua imprestabilidade conforme planilha já apresentada pela defesa em 10/11/2017.

Lula ainda não apresentou suas alegações finais no caso.

O MPF chegou a pedir a Moro uma perícia para comprovar a autenticidade dos recibos.

Os procuradores contestam a autenticidade desse material.

"Depois, diante da prova de que os recibos haviam sido assinados pelo proprietário do imóvel, os procuradores desistiram de pedir uma perícia em relação aos documentos, passando a sustentar que eles seriam "ideologicamente falsos", pois, segundo a versão apresentada, os aluguéis não teriam sido efetivamente pagos. A acusação é inverídica e descabida", afirmam.

No Rio de Janeiro, movimentos sociais e sindicatos estão organizando uma série de atividades como atos e debates com a sociedade civil para expor os riscos para a democracia caso o ex-presidente Lula seja condenado sem provas, no julgamento marcado para o próximo dia 24 de janeiro, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Independente da decisão, o resultado desse processo será anexado à ação penal que trata do caso e poderá ser usado tanto nas alegações finais do MPF e das defesas dos réus, quanto na sentença, que será proferida pelo juiz Sérgio Moro.

O cenário de falta de lisura na condução do processo contra Lula motivou também a classe intelectual e artística a se organizar em defesa do ex-presidente.

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