Santa Casa diz que "nada está decidido" sobre entrada no Montepio

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O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa disse nesta quarta-feira que "ainda nada está decidido" sobre a entrada no capital do Montepio e que decorre o processo de avaliação do investimento, mas que espera que haja uma decisão para breve.

Mas Edmundo Martinho assegurou que em relação a este investimento "nada disto é novo", lembrando que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem feito "investimentos financeiros que se têm vindo a revelar benéficos", referindo-se a sociedades de "leasing", seguradoras e também instituições financeiras.

"Desde que o processo começou a ser estudado, há cerca de um ano, para estudar a possibilidade de a Santa Casa entrar no capital do Montepio, na altura ficou definido que no máximo podiam comprar dez por cento do capital", continuou o responsável, no sentido de "clarificar a questão dos 200 milhões" de euros.

Edmundo Martinho garante que "não está determinado" qualquer valor final de investimento e, questionado pelos deputados sobre os contornos de um eventual negócio, o Provedor da Santa Casa adianta que a situação ainda está em estudo. "O único limite é 10% do capital", disse Edmundo Martinho, no Parlamento, em audição perante os deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social.

O sucessor da Santa Casa explicou ainda que actualmente "está em curso processo de avaliação" e que "não está nada decidido". Um dos exemplos foi uma participação no capital do BCP, que Edmundo Martinho afirmou que foi numa perspectiva de médio e longo prazo e que gerou mais-valias para a instituição. "Que é verdade que houve conversações, houve", afirmou, durante a audição na qual reiterou que "o banco não precisa de ser salvo" e que é o facto de muitos darem o assunto como encerrado que "fragiliza muito o Montepio". "Há uma coisa que gostaria de lhe dizer com toda a calma: a ideia é boa por uma razão fundamental, porque uma entidade que tem uma liquidez como a Santa Casa deve procurar ativos para investir".

A Santa Casa da Misericórdia, quis ainda acentuar o provedor, apresenta "uma situação financeira de enorme estabilidade e é essa estabilidade que permite avançar com investimentos sólidos, além das funções sociais".

A audição do provedor da SCML, que decorreu esta quarta-feira no parlamento, foi pedida por unanimidade entre todos os grupos parlamentares, após requerimento do CDS-PP.

Nas eleições, o antecessor, Pedro Santana Lopes, que assinou o memorando de entendimento que abre a portas a investimento na caixa económica, defronta Rui Rio. "O banco não precisa de ser salvo, não é disso que se trata", respondeu Edmundo Martinho.

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, também foi convocado, mas o governante mostrou indisponibilidade para ser ouvido esta semana, precisamente para não ter impacto nas eleições do PSD.

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