Em carta, presidente do BC explica inflação abaixo do piso

Ruy Baron  Valor

Em carta aberta para explicar o descumprimento do intervalo mínimo da meta, Goldfajn diz que o Banco Central foi surpreendido pelo comportamento dos preços dos alimentos no domicílio.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quarta-feira (10), que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no Brasil, terminou o ano passado em 2,95%.

"Em 2017, a reversão da inflação nos preços dos alimentos no domicílio foi maior do que o previsto, tanto pelo Copom quanto pelos analistas do mercado", informou o presidente do BC.

A carta foi escrita uma vez que a inflação oficial encerrou o ano passado abaixo do piso da meta, de 3%, estabelecida pelo CMN.

Os preços do subgrupo alimentação no domicílio encerraram o ano com deflação de 4,85%, a maior desde 1989, e a 1ª nesses itens desde 2006. "O último, em particular, tinha sido mais difícil de cultivar, mas, ao assumir a cadeira do presidente do Banco Central, os mercados se sentiam confortáveis com o que estava por vir". Para Goldfajn, a autoridade monetária não cortou mais os juros para compensar a queda nos preços dos alimentos porque não cabe a ela reagir a eventos externos. "A política monetária deve combater o impacto dos choques noutros preços da economia (os chamados efeitos secundários) de modo a buscar a convergência da inflação para a meta", acrescentou. A instituição ainda afirmou que "tem calibrado a taxa básica de juros e continuará a fazê-lo". Segundo ele, o IPCA já tem trajetória de retorno à meta em 2018, destacando que já no primeiro trimestre deste ano o cenário é que ela retorne, no acumulado em 12 meses, para a banda de tolerância, ao marcar 3,2%. A Selic diminuiu 7,25 ponto percentual e chegou a 7,0% ao ano, o menor nível da História. Ele lembrou que, desde o fim do ano passado, o IPCA voltou a aumentar para convergir em direção ao centro da meta.

O Banco Central pondera que se não fosse a queda brusca do preço dos alimentos por causa da safra recorde, a inflação ficaria em 4,54%, valor muito próximo à meta.

Na conclusão da carta, Goldfajn afirmou que o BC tem tomado as providências para que a inflação atinja as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5% em 2018, 4,25% em 2019 e 4,00% em 2020.

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