Antigo ministro alerta: VW pode levar Autoeuropa para Marrocos

Trabalhadores sindicato e administração da Autoeuropa em silêncio

Mira Amaral era o ministro da Indústria de Cavaco Silva quando a Autoeuropa se instalou em Portugal. Mas a partir desse momento, se não houver juízo, a Autoeuropa está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas que ficariam encantadas por receber novas produções.

Para a produção de 240.000 veículos T-Roc, sustenta ainda o comunicado, seriam necessárias medidas estruturais semelhantes àquelas que viabilizaram na fábrica da Volkswagen em Navarra a produção de quase 300 mil veículos "sem trabalho obrigatório ao fim de semana". E critica o Site-Sul (sindicato da CGTP) por apostar exclusivamente numa negociação desacreditada pelo unilateralismo com que a administração anunciou a imposição de novos horários, concluindo com um apelo dirigido a esse sindicato: "Respeitem a vontade expressa pelos trabalhadores e emitam um pré-aviso de greve para os dias 2 e 3 de fevereiro".

Para Mira Amaral, não se percebe o braço de ferro dos sindicatos e da empresa.

"Os trabalhadores da Autoeuropa têm, no contexto português, salários superiores a muitos colegas de outras fábricas", atesta o ex-ministro. Pelo amor de Deus.

Em entrevista na TVI24, o sindicalista defendeu os trabalhadores da Autoeuropa num impasse que algumas "pessoas interessadas em criar problemas" têm reduzido à questão do trabalho ao sábado.

O grupo, autodenominado "Juntos pelos trabalhadores da Autoeuropa", diz que "não se tem sentido representado pela forma como a Comissão de Trabalhadores (CT) tem gerido o conflito em curso na Autoeuropa" e explica que, por esse motivo, recolheu as assinaturas necessárias para convocar os plenários de 20 de dezembro e aí apresentou o conjunto de propostas que viria a ser aprovado. "Quando a produção deste modelo acabar ou quando for preciso produzir outro modelo, vão aparecer responsáveis de outras fábricas com argumentos que a Autoeuropa não tem depois deste período de greves e de irrealismo laboral", sublinha. Os trabalhadores ainda querem alterar o horário transitório anunciado unilateralmente pela empresa, para vigorar de Fevereiro a Julho deste ano.

"O SITESUL reafirma que nunca esteve em causa, nem está, a necessidade de se trabalhar ao sábado na Autoeuropa, mas sim as circunstâncias da sua obrigatoriedade, acrescendo o facto de a administração não pretender remunerar o trabalho nesse dia em conformidade com os valores praticados actualmente, como trabalho extraordinário", disse Eduardo Florindo, coordenador do SITESUL.

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