Raríssimas: Ministério da Segurança Social vai "avaliar"

Governo vai avaliar a situação da associação Raríssimas e agir em conformidade

Manuel Delgado recebia 3000 euros por mês, tendo chegado a ser pago com subsídios do Estado, destinados a apoiar crianças com doenças raras.

Também em comunicado, o secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado escreve que, enquanto foi consultor remunerado da Raríssimas, nunca teve "conhecimento ou participação na análise ou nas decisões referentes ao financiamento e à gestão correntes da Instituição".

Após a investigação feita pela jornalista Ana Leal, centenas de documentos põem em causa a gestão da presidente da associação, Paula Brito e Costa, que recebia um salário base de 3 mil euros mensais, ao qual acresciam 1300 em ajudas de custo, 816,67 euros de um plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações.

Paula Brito Costa, presidente da Raríssimas - uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais - pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais, segundo avança uma reportagem da TVI.

A isto juntam-se supostos mapas de deslocações fictícias, compra de vestidos de alta-costura, carros de luxo e gastos pessoais em supermercados.

A deputada socialista Sónia Fertuzinhos confirma, em comunicado, a viagem à Noruega, mas sublinha que "que as despesas relacionadas com a viagem não constituíram nenhuma despesa para a Raríssimas, que tendo adiantado o pagamento dos bilhetes de avião foi reembolsada pela entidade organizadora da conferência, na totalidade do valor dos mesmos".

Um outro contabilista da Raríssimas, Jorge Nunes, confessou à TVI que apesar dos gastos, a instituição apresentou prejuízos durante alguns anos, mesmo recebendo apoio do Estado. "Eu tenho um ano, de 2013 ou 2014, com 500 mil euros de prejuízo. Comeceu a perceber que o intuito não era bem trabalharmos para os meninos, era trabalharmos para nós", refere o ex-tesoureiro, que apresentou a sua demissão.

Os vencimentos apresentados na reportagem "foram artificialmente inflacionados", alegam os responsáveis da Raríssimas, segundo os quais os salários têm por base a tabela definida pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS).

O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou neste domingo que "irá avaliar a situação e agir em conformidade, tendo sempre em conta, e em primeiro lugar, o superior interesse dos beneficiários" da instituição.

Depois de a reportagem ser transmitida no sábado à noite, a Raríssimas reagiu em comunicado publicado no Facebook neste domingo: "Todas as acusações apresentadas nesta reportagem são insidiosas e baseadas em documentação apresentada de forma descontextualizada".

Pouco tempo depois do final da reportagem, a página de Facebook da Raríssimas foi inundada com comentários e críticas negativas. Como Paula Brito Costa dizia aos seus colaboradores, o filho era "o herdeiro da parada" e viria a ser o seu sucessor.

"A Direção da Raríssimas emitirá nas próximas 48 horas o direito de resposta, na qual todas as questões levantadas pela reportagem merecerão um esclarecimento cabal e fundamentado", conclui a nota publicada na rede social.

A Raríssimas sublinha ainda que "não existiu disponibilidade para considerar factos que a direção se prestou a fornecer", apontando o dedo a uma "narrativa predefinida" que não deu "oportunidade de contraditório".

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