Tarefas doméstica ainda sobrecarregam mulheres, aponta pesquisa

Em torno de 10,5 milhões das domésticas não chegam a ter 16 anos

É o que indica um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (7). As principais atividades foram auxiliar nos cuidados pessoais (78,6%), com predominância de mulheres (86,9%), contra 65% de homens; e auxiliar nas atividades educacionais (66,8%), também destacando as mulheres, com 71,7%, contra 58,8% dos homens.

Em média, foi maior a proporção de mulheres (4,6%) na comparação com os homens (3,1%) que realizaram algum tipo de trabalho voluntário.

Do total de 166,7 milhões de pessoas em idade de trabalhar em 2016, 26,9% cuidaram de moradores do domicílio ou de parentes não moradores, correspondendo a 44,9 milhões de pessoas.

A pesquisa buscou observar, ainda, dentre as pessoas que realizaram tarefas domésticas quantas tinham ocupação profissional.

Apesar de terem conquistado mais espaço no mercado de trabalho, as mulheres ainda são as grandes responsáveis por executar tarefas domésticas no Brasil. Já a menor foi no Sul (16 horas por semana).

Alessandra Brito ressaltou que a análise da intensidade de horas dedicadas às atividades de cuidados de moradores ou parentes não moradores, afazeres domésticos ou em domicílio de parentes é maior na Região Nordeste (17,5 horas por semana) do que no Sul (16 horas por semana). Os homens, por sua vez, desempenharam atividades domésticas por um período médio de 11 horas. Mesmo as mulheres que trabalhavam fora se dedicaram quase três horas a mais aos afazeres domésticos e cuidados com a família do que os homens que trabalharam fora.

Tanto entre as mulheres quanto entre os homens, a taxa de realização de afazeres domésticos foi maior no grupo etário entre 25 e 49 anos - respectivamente 93,5% e 75,9% - e menor, para ambos os gêneros, na faixa etária entre 14 e 24 anos de idade - 83,4% entre as mulheres e 59,5% dos homens. Em seguida, vem o cuidado com a limpeza ou a manutenção de roupas e sapatos, com 76% em nível nacional, com participação maior de mulheres (90,8%) do que de homens (55,7%).

Assim como as atividades que realizamos no nosso trabalho, a vida doméstica também exige dedicação de tempo e esforço.

A pesquisa mostra que 6,5 milhões de brasileiros, ou 3,9% da população de 14 anos ou mais de idade, realizam trabalho voluntário, que pode ser feito para uma organização ou uma pessoa, seja parente ou não, sem remuneração.

"A mulher faz tudo na casa, e o homem faz pequeno reparo". Segundo os parâmetros da pesquisa do IBGE, essa taxa de subutilização é a agregação da população desocupada, os subocupados por insuficiência de horas e os que fazem parte da força de trabalho potencial. "Mas ela sequer se dava conta de que aquilo era trabalho voluntário", destacou a pesquisadora Alessandra Brito. "É um conceito mais amplo de trabalho voluntário", afirmou a economista.

A pesquisa inclui também os dados sobre trabalho voluntário no Brasil: 6,5 milhões de pessoas se dedicaram a este tipo de trabalho em 2016, com proporção parecida entre homens e mulheres e maior percentual entre as pessoas que já exerciam trabalho remunerado. No Centro-Oeste, os dois sexos se equiparam, com 6,9 horas semanais de cada dedicadas ao trabalho voluntário.

Em relação aos trabalhos voluntários, as mulheres também são maioria. Enquanto 4,2% dos ocupados no Brasil faziam trabalho voluntário, entre os não ocupados a taxa era de 3,6% no ano passado.

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