Professores protestam contra condução coercitiva de reitor da UFMG

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O Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (Apubh) divulgou nota de solidariedade ao reitor Jaime Arturo Ramirez, à vice-reitora Sandra Regina Goulart Almeida e ex-reitores e ex-vice reitores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conduzidos coercitivamente por integrantes da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (6), durante a operação chamada Esperança Equilibrista. Ele também era investigado e acabou afastado do cargo por suspeita de irregularidades na função.

A Polícia Federal informou nesta quarta-feira que os desvios de dinheiro público na obra de construção do Memorial da Anistia Política do Brasil foram de pelo menos R$ 4 milhões. O projeto é financiado pelo Ministério da Justiça e está sendo executado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De acordo com a direção da Apubh, o departamento jurídico da entidade foi colocado à disposição para prestar assistência e apoio aos professores que ocupam e ocuparam postos na reitoria da UFMG. Conforme a PF, os desvios teriam ocorrido por meio de pagamentos a fornecedores sem elo com o projeto e de bolsas de estágio e extensão. A UFMG detém um vasto acervo científico e acadêmico sobre o tema da anistia, sobretudo por meio do Projeto República, grupo de pesquisa conduzido pela professora de história Heloisa Starling, que foi vice-reitora entre 2006 e 2010 e também foi alvo de condução coercitiva. O local teria ainda dois prédios anexos e uma praça de convivência.

"Segundo apurado no bojo do inquérito policial, até o momento, teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões na construção e pesquisas de conteúdo para a exposição, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos, ainda inacabado", informou a Polícia Federal.

O reitor e seu advogado não quiseram falar com a imprensa na saída da Polícia Federal. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva.

O nome da operação Esperança Equilibrista, que envolve a UFMG foi inspirado no trecho da música O Bêbado e o Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, que é considerada o hino dos anistiados.

Em nota, a UFMG afirmou que por se tratar de apuração que tramita em sigilo, não pode se manifestar sobre os fatos que motivam a investigação em curso. "Com experiência sólida de mais de 40 anos de atuação, a Fundep sempre manteve sua postura de transparência e colaboração e segue à disposição dos órgãos de fiscalização e controle", registra.

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