Movimento #MeToo distinguido como Personalidade do Ano pela revista "Time"

'Time' elege pessoas que denunciaram assédio como personalidade do ano

O movimento ganhou força de forma espontânea, em outubro, depois de a atriz e ativista Alyssa Milano ter postado: "Se você sofreu assédio ou abuso sexual, escreva 'me too' como reply para este tuíte".

Para a capa da revista, os editores escolheram diversos artistas - como a cantora Taylor Swift e a atriz Ashley Judd - como símbolo das denúncias.

A revista considera que as denúncias e ações protagonizadas pelas personalidades distinguidas criaram um dos movimentos mais rápidos, apoiado pelo impacto da divulgação conseguida através das redes sociais, nomeadamente através da hashtag #MeToo.Um dos casos mais mediáticos envolveu o produtor norte-americano Harvey Weinstein, acusado de assédio e abuso sexual por mais de 80 mulheres, entre as quais várias estrelas de Hollywood, como Gwyneth Paltrow, Ashley Judd e Angelina Jolie.

"Esta foi a mudança social mais rápida a que assistimos nas últimas décidas e começou com atos de coragem individuais de centenas de mulheres - e de alguns homens também - que se chegaram à frente e contaram as suas próprias histórias", anunciou o editor chefe da publicação norte-americana. As acusações levaram a demissões e investigações.

"Eu nunca poderia ter imaginado algo que iria mudar o mundo. Eu estava tentando mudar a minha comunidade", disse Tarana Burke, criadora da hashtag #MeToo, à emissora NBC. Não se trata apenas de um momento, mas de um movimento.

Na capa tradicionalmente dedicada à pessoa que que mais influente do ano, para o bem ou para o mal, surgem este ano cinco mulheres. Ele nega as acusações. Trump foi a Pessoa do Ano da Time no ano passado.

Completam a lista dos finalistas o procurador Robert Mueller (em quarto), que investiga a ligação entre a campanha de Trump e a Rússia na eleição presidencial, o ditador norte-coreano Kim Jong-un (quinto), o jogador de futebol americano Colin Kaepernick (sexto), que deu início a uma onde de protestos contra o racismo nos esportes americanos, e a cineasta Patty Jenkins, que dirigiu o filme da Mulher Maravilha (sétima).

"Por darem voz a segredos, por vencerem a rede de fofocas e chegarem às redes sociais, por forçarem todos nós a parar de aceitar o inaceitável, aquelas que romperam o silêncio são as personalidades do ano", acrescentou, citado num editorial da revista.

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