Trump Jr. trocou mensagens com Wikileaks durante campanha presidencial, revela publicação

Wikileaks e filho de Donald Trump trocaram mensagens com pedidos de favores

O filho do atual presidente dos EUA, Donald Trump Jr., trocou mensagens com o site de denúncias Wikileaks através do Twitter. "Assange. Seria muito fácil e útil se o seu pai sugerisse à Austrália a nomeação de Assange como embaixador em Washington".

As mensagens, que também foram fornecidas aos investigadores do Congresso que conduzem um inquérito às suspeitas de interferência russa no processo eleitoral, foram enviadas até pelo menos julho de 2017. Trump Jr. divulgou as 10 capturas de tela algumas horas depois de a revista norte-americana The Atlantic ter publicado um relato sobre o conteúdo delas.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, emitiu uma reação breve ao caso e declarou; por meio de sua assessoria de imprensa, que não sabia da troca de mensagens entre Trump Jr. e Wikileaks.

Os contatos foram obtidos pelos membros das comissões do Congresso que investigam a interferência russa na eleição presidencial americana e sua suposta ligação com membros da campanha de Donald Trump.

Durante a campanha, Trump Jr. recebeu uma mensagem do WikiLeaks a informar que o site tinha acabado de publicar "os emails de Podesta parte 4", referindo-se à divulgação dos emails roubados à candidatura de Hillary Clinton, que acabaria por perder as eleições. Em sequência, o filho mais velho do presidente tuitou a transcrição do que seria a troca de mensagens completa.

A WikiLeaks também tentou influenciar Trump Jr a permitir que eles vazassem a declaração de imposto de renda de seu pai e assim impedir que uma "fonte tendenciosa" como o "New York Times" o fizesse.

O senador democrata Richard Blumenthal, que faz parte da Comissão do Justiça do Senado; convocou um painel para citar mais documentos e forçar Trump Jr., que falou com a comissão em março, para testemunhar publicamente. Trump Jr. não respondeu.

Julian Assange, recorde-se, é procurado na Suécia por suspeita de crimes de violação e nos Estados Unidos pela divulgação ilícita de documentos da diplomacia e das Forças Armadas, motivos que o levaram a exilar-se há cinco anos na embaixada do Equador em Londres, para evitar a extradição para a Suécia e EUA.

Assange disse no Twitter que "não poderia confirmar as supostas mensagens diretas" e que a reportagem da "The Atlantic" havia sido "editada e claramente não continha todo o contexto".

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