À beira do calote, Venezuela reúne credores para renegociar dívida

Caracas acusa os EUA de impedir desenvolvimento internacional venezuelano

A pedido dos credores, um comitê de sociedades financeiras vai se reunir com a Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA) nesta sexta em Nova York para analisar o não pagamento do bônus 2017.

Devido aos atrasos e títulos a vencer, as agências Fitch, Standard and Poor's e Moody's rebaixaram a classificação da dívida venezuelana, alertando para uma moratória dentro de curto prazo.

Maduro anunciou em 2 de novembro que o país buscaria "refinanciar e reestruturar" a dívida, em consequência de uma "perseguição financeira" comandada pelos Estados Unidos.

Até o fim do ano, o país deverá quitar pelo menos 1,47 bilhão de dólares.

O governo afirmou que muitos investidores compareceram ao encontro, mas outras fontes afirmaram à AFP que os estrangeiros não estavam na reunião porque o governo dos Estados Unidos incluiu El Aissami na lista de sanções, proibindo seus cidadãos de negociar com ele.

"Isso dificulta chegar a um acordo com seus credores", opinou Saldarriaga.

A falta de pagamento, segundo a imprensa venezuelana, foi avançada pela empresa Wilmington Trust, o fiduciário do título, num comunicado enviado hoje à Bolsa do Luxemburgo.

A convocatória foi feita pelo vice-presidente da Venezuela, Tarek El Aissami, que também é presidente da comissão especial para o refinanciamento da dívida externa venezuelana.

Analistas concordam que a Venezuela, com uma economia devastada e reservas internacionais de apenas 9,7 bilhões de dólares, terminará em default, mas divergem sobre quando isto vai acontecer.

Nesse cenário de dificuldades, Maduro anunciou avanços nas renegociações com seus aliados: as negociações com a China - para quem deve 28 bilhões de dólares - "estão perfeitas" e, nesta semana, será assinado um acordo que reestrutura 3 bilhões dos 8 bilhões de dólares em dívidas com a Rússia.

El Aissami declarou ao canal estatal de TV que a Venezuela está "blindada", mas acusou o governo de Donald Trump de "fechar vias" ao país com as sanções financeiras. Somando-se a EUA e Canadá, os chanceleres da União Europeia (UE) adotaram na segunda-feira uma série de medidas.

"Maduro pode estar esperando que os credores de bônus pressionem o governo de Trump por algum tipo de isenção", opinou a diretora para América Latina do Eurasia Group, Risa Grais-Targow.

- Consequências -O governo venezuelano foi ambíguo em seu plano: fala de "refinanciamento" (oferta de troca de títulos) e de "restruturação" (que obrigaria credores a aceitarem novos termos), segundo o diretor da Ecoanalítica, Alejandro Grisanti.

Segundo especialistas, para ambos processos deve mostrar um plano de reformas econômicas.

De acordo com o Eurasia Group e o IHS Markit, se deixar de pagar, Maduro teria um alívio temporário, com dinheiro para importar bens básicos perto da campanha para as eleições presidenciais de 2018.

Com a queda dos preços do petróleo, fonte de 96% das divisas do país, o governo reduziu drasticamente as importações para evitar a moratória, provocando uma severa escassez de alimentos e remédios.

A Venezuela ainda enfrentaria processos internacionais e o embargo de ativos da PDVSA no exterior, como a Citgo, filial da petroleira nos Estados Unidos.

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