Aliados desiludidos com Puigdemont. Rajoy pede que clarifique declaração da independência

Catalunha declara independência e deixa-a em suspenso

"Esta foi a resposta do estado espanhol". "Só querem falar da realização de um referendo na Catalunha que não está permitido pela Constituição", frisou.

"Neste momento histórico, e como presidente da Generalitat (governo catalão), assumo (...) o mandato do povo de que Catalunha se converta em um Estado independente em forma de República". Mas uma declaração de independência obriga, se o artigo 155 for aplicado, à verificação sobre se a declaração implica o desaparecimento do parlamento e do governo autónomo e a necessidade de o governo central designar um executivo que convoque novas eleições regionais autónomas.

O governo "sempre respeitou o Estado de Direito com os meios ao dispor do Estado de Direito", afirmou acusando Puigdemont de estar a avançar, "como sempre", para situações indesejáveis para a Catalunha como criar situações que conduzem a "conflitos económicos e sociais".

Ela também enfatizou que "nem Puigdemont nem ninguém pode pretender, sem retornar à legalidade e à democracia, impor uma mediação".

O presidente regional pediu ao Parlamento catalão para suspender os efeitos da declaração de independência e dar tempo para o diálogo. Foi conhecida a entrevista de Puigdemont à CNN, onde este pediu mais uma vez disponibilidade para negociar ao Governo espanhol. Para os pro-independentistas foi uma declaração apluadida.

O próximo episódio da novela da independência catalã está agora nas mãos do governo de Mariano Rajoy. O anúncio foi inclusivamente feito pelo líder socialista Pedro Sánchez (e posteriormente confirmado por Rajoy no hemiciclo), que anunciou a criação de uma "comissão de avaliação do modelo autonómico" e uma discussão no Congresso dos Deputados seis meses depois. "Estamos esperando que declarem a independência e sabemos que teremos que estar na rua para defendê-la", disse Marta Martínez, advogada de 50 anos, antes do discurso.

O documento assinado, pouco depois de Puigdemont pedir a suspensão da separação para buscar um diálogo con Madri, proclamava a "República catalã".

A suspensão da autonomia seria considerada por muitos catalães como uma afronta e poderia provocar distúrbios nesta região muito ligada a sua língua e cultura, e cuja autonomia foi restabelecida após a morte do ditador Francisco Franco (1939-1975).

Também a Esquerda Republicana, que faz parte da Generalitat catalã, declarou que tal proposta continua ensombrada pelo facto de que catalães e bascos continuariam a ser "uma minoria à mercê do PP, PSOE e Ciudadanos", nas palavras do seu líder Joan Tardá.

Depois de ter tornada pública esta nova posição, Carles Puigdemont foi alvo das mais variadas piadas na internet, como já seria, aliás, de esperar.

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