Joesley chama Janot de covarde por ter rescindido acordo de delação

Joesley Batista deixa sede da PF em São Paulo 11/9/2017  REUTERS  Leonardo Benassatto

"Acho que o procurador foi muito questionado sobre a nossa imunidade e, por fim, ele decidiu pedir a quebra da nossa imunidade. Estou pagando por isso", continuou o empresário.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal) converteu a prisão dos delatores da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, de temporária para preventiva.

O juiz João Batista Gonçalves determinou que a prisão preventiva seja mantida. Como justificativa, citou o risco do empresário deixar o País, por conta dos recursos de que dispõe para se deslocar para viajar ao exterior. Joesley e Saud estão presos provisoriamente na carceragem da Polícia Federal em Brasília.

Segundo a Procuradoria, o presidente Michel Temer (PMDB) incentivou Joesley Batista a pagar, por meio de Ricardo Saud, vantagens a Roberta Funaro, irmã de Lúcio Funaro.

O empresário negou as acusações: "Não houve 'insider trading' (apelido do crime pelo qual é acusado)". "Vendi [ações] porque necessitava de caixa".

Apesar da decisão de Janot, o acordo de leniência firmado pela J&F, controladora da JBS, com o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF), fechado por R$ 10,3 bilhões e já homologado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, permanece válido.

Ele disse, também, que os bancos têm restringido crédito, sem renová-los, e que neste ano os dividendos de seu grupo empresarial ficaram abaixo da expectativa.

O benefício, que é a renúncia por parte da procuradoria a processar os acusados, foi anulado porque Janot concluiu que Batista e Saud omitiram da PGR informações durante o processo de assinatura do acordo de delação premiada. A informação sobre a rescisão do acordo foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal. O pedido será julgado pela juiz federal convocada Taís Ferracini.

No diálogo, além de tramarem uma aproximação com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, eles também falam em grampear ministros do STF, ironizam políticos e insinuam ter mais provas a serem reveladas.

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