Grupo de Geddel, Cunha e Temer movimentou R$ 170 milhões em propinas

Lúcio Funaro no Congresso em abril de 2010

A defesa do corretor e delator Lúcio Bolonha Funaro protocolou petição no Supremo Tribunal Federal (STF) na qual informa que sua residência em São Paulo (SP) foi invadida no domingo, 10.

O atual presidente e Henrique Alves, diz Janot, eram os responsáveis por sustentar Geddel no cargo. A versão apresentada por Funaro coaduna com os fatos narrados anteriormente por ex-executivos da Odebrecht e pelo advogado José Yunes, ex-assessor e amigo pessoal do presidente Michel Temer. Segundo Funaro, o dinheiro seria parte de um acordo de caixa 2 firmado com a Odebrecht e pertenceria ao peemedebista. A doação de Constantino envolveu entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões, como consta no acordo. O Palácio do Planalto confirma que esse jantar ocorreu, mas nega tratativas sobre recursos ilícitos.

Funaro afirma que, no dia em que foi preso, possuía um saldo devedor de aproximadamente US$ 1 milhão em sua "conta interna" junto aos doleiros. O apoio à campanha de Chalita foi um pedido do presidente Michel Temer, segundo o delator. Foi em Salvador que a Polícia Federal descobriu R$ 51 milhões, guardados dentro de malas e caixas, em um apartamento que teria sido emprestado a Geddel, segundo relato do proprietário do imóvel.

O depoimento de Funaro, hoje preso no presídio da Papuda, em Brasília, faz parte do acordo de delação premiada do corretor, assinado na semana passada.

"Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do processo e, consequentemente, a nomeação de Temer como presidente", disse o doleiro em trecho da delação. No documento, a PF atribui vantagens indevidas de R$ 31,5 milhões a Temer e aponta Geddel (PMDB-BA) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como 'longa manus' das negociatas.

Nos bastidores, especula-se que a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer dependia da homologação da delação de Funaro.

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