Temer e Joesley são denunciados por obstrução e organização criminosa

Fachin aguardará decisão do STF para enviar à Câmara nova denúncia contra Temer

Também foi denunciado o ex-deputado e ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures.

A eventual denúncia contra Temer deve ser enviada ao Supremo ainda nesta semana, a última de Rodrigo Janot no comando da PGR.

"Não houve por parte do presidente da República, ao contrário do que afirma a denúncia, não houve nenhuma ação em que ele, presidente de República, tivesse solicitado, recebido, favorecido ou aceitado qualquer benesse, elementares do crime de corrupção", afirmou Mariz. A regra está no Artigo 86: "Admitida a acusação contra o presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade". De lá, seguirá para o plenário da Casa, onde são necessários votos pela abertura da investigação de pelo menos 342 deputados, o equivalente a 2/3 dos 513 parlamentares que integram a Câmara. O operador confirmou na delação a compra de silêncio por Joesley com a chancela de Temer. O presidente também é acusado por Janot de ter o "poder de decisão" na atuação da chamada "quadrilha do PMDB na Câmara". Na segunda-feira, ele será sucedido por Raquel Dodge. A acusação contra os dois empresários foi possível por causa da rescisão do acordo de delação premiada feita por eles, já que dois omitiram informações em seus primeiros depoimentos ao Ministério Público Federal.

Durante a investigação, a defesa de Temer questionou os benefícios concedidos a Joesley Batista pela PGR no acordo de delação. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto. Desta vez, a acusação é de obstrução à Justiça e organização criminosa.

Joesley e Saud se entregaram no domingo e estão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O prazo da prisão decretada pelo ministro Edson Fachin, do STF, termina nesta sexta-feira (15). O ex-procurador nega as irregularidades e diz que não usou o cargo público para favorecer a JBS. Certamente a Câmara do Deputados terá enorme dificuldade na apreciação dessa nova denúncia. Ignora deliberadamente as graves suspeitas que fragilizam as delações sobre as quais se baseou para formular a segunda denúncia contra o presidente da República, Michel Temer. Metade da bancada tucana votou contra o presidente na primeira denúncia.

O órgão acrescentou ainda que "a segunda denúncia é recheada de absurdos".

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