Políticos paraibanos citados em denúncia de Janot contra Temer

Valter Campanato  Agência Brasil

Em nota enviada à imprensa no início da noite desta quinta-feira (14), o Palácio do Planalto criticou a segunda denúncia apresentada pelo procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer (PMDB). Janot tenta imputar a Temer a liderança do grupo político peemedebista formado por aliados dele, como os ex-presidentes da Casa Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot.

Ao fim do comunicado, a defesa ainda afirma que o presidente "tem certeza" que a "verdade prevalecerá" ao fim do processo "e não mais, versões, fantasias e ilações". "Também há imputação do crime de obstrução de justiça por causa dos pagamentos indevidos para evitar que Lúcio Funaro firmasse acordo de colaboração premiada".

Após a divulgação dos áudios, Janot anunciou uma nova investigação a respeito das atividades de Joesley Batista, e de Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, executivos da empresa.

De saída da procuradoria-geral da República, Rodrigo Janot deve apresentar até a próxima sexta-feira (15/9) nova denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB).

Janot acusa Michel Temer de ser o líder da organização criminosa desde maio de 2016. As informações foram divulgadas no mesmo dia em que o vice-prefeito disse, ao Jornal da Paraíba, que o PMDB da Paraíba não figuraria entre os denunciados por qualquer denúncia relacionada ao PMDB da Câmara. O procurador já havia denunciado anteriormente o presidente por corrupção passiva, acusaçaõ que foi arquivada pela Câmara dos Deputados.

Se o prosseguimento da denúncia for autorizado pela Câmara e ela for aceita pelo Supremo, Temer deverá ser afastado do cargo por 180 dias.

O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley Batista, dono da JBS, e o executivo Ricardo Saud indicam possível atuação de Marcello Miller no acordo de delação quando ainda era procurador -ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril.

A Presidência da República classificou a nova denúncia como "marcha irresponsável para encobrir suas próprias falhas" e uma tentativa de "criar fatos" para "encobrir a necessidade urgente de investigação sobre pessoas que integraram sua equipe".

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