Janot pede para Temer e aliados devolverem R$ 642 milhões

Por volta das cinco e meia da tarde, o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, tornou pública uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer e o grupo que ele chamou de PMDB da Câmara, que inclui os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves e os ex-deputados Eduardo Cunha e Rodrigo Rocha Loures. Janot aponta que o PMDB da Câmara recebeu, pelo menos, R$ 350 milhões do esquema de corrupção e cartel montado na Petrobras. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot.

Segundo o relator, o fato de a Câmara dos Deputados ter rejeitado a primeira denúncia feita por Janot contra Temer impede a abertura do caso para avaliação das provas, que ficarão suspensas até o presidente deixar o cargo. Essa decisão do STF representa uma grande derrota para o presidente da república Michel Temer.

De acordo com pessoas próximas às investigações, as acusações contra Temer foram fortalecidas com dados fornecidos por Funaro à Procuradoria.

A defesa de Temer entrou com o pedido no Supremo na última sexta-feira (8), após o vazamento dos áudios de Joesley Batista, sócio da J&F, e do ex-diretor de relações institucionais da empresa Ricardo Saud. A intenção era discutir um pedido dos advogados do presidente para "sustar" uma eventual nova denúncia contra Temer até o fim da apuração envolvendo o empresário Joesley Batista, e também quais são os efeitos que uma eventual rescisão de acordo de colaboração premiada da JBS terá sobre as provas colhidas na delação.

Esta é a segunda vez que Janot apresenta denúncia contra o presidente da República.

A defesa de protocolou no início da noite desta quarta no STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido para que o ministro Edson Fachin aguarde até a próxima quarta-feira (20) para encaminhar à Câmara dos Deputados a nova denúncia apresentada por Janot contra o presidente. "Michel Temer é acusado de ter atuado como líder da organização criminosa desde maio de 2016", informou a assessoria da PGR.

Continuando no ataque, a Presidência afirma que a segunda denúncia contra Temer é "recheada de absurdos" e que fala sobre "pagamentos em contas no exterior ao presidente sem demonstrar a existência da conta do presidente em outro país".

"Acho temerário nós processarmos uma denúncia, ela iria para a Câmara, que se faça isso em face dos dados todos que estão sendo colhidos", disse.

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