Ex-procurador Marcello Miller diz que nunca fez 'jogo duplo'

Sérgio Lima  AFP                 		
					Joesley Batista

Sendo assim, no período apresentado no seu depoimento, estava em tratativas iniciais com o escritório Trench, Rossi e Watanabe, mas nunca advogou ou prestou serviços jurídicos, seja para o escritório ou para o grupo J&F, enquanto era procurador. "Abs, Esther", diz Esther Flesch, que deixou de ser sócia do escritório posteriormente.

A assessoria de imprensa do escritório Trench Rossi Watanabe não respondeu à pergunta feita pela reportagem sobre se firmou contrato também relacionado a acordo de colaboração, para além da leniência. Joesley também disse que Miller "jamais vendeu facilidades" pelo fato de ter sido do Ministério Público. "Gostaria de falar com vc [você], especialmente para te explicar algumas adições que fiz".

Na nota, Miller diz que nunca teve "contato algum com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot". "Avise assim que puder falar", escreveu a advogada.

Em um dos e-mails, de 5 de março, a advogada Esther Flesch, então membro da banca Trench Rossi Watanabe, reencaminhou a Miller uma mensagem que recebeu de Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS.

A advogada repassou o e-mail a Miller com o texto: "Para seu conhecimento".

A resposta do então procurador foi dada justamente no e-mail que trata da passagem.

Para a PGR, há indícios de que Miller tenha cometido o crime de exploração de prestígio (previsto no artigo 357 do Código Penal, com pena de 1 a 5 anos e multa), além da possibilidade de ter sido cooptado pela organização criminosa composta pelos executivos da JBS, "passando, em princípio, a integrá-la". Miller só pediu para deixar o cargo em 23 de fevereiro e somente em 5 de abril foi efetivamente exonerado.

O ex-procurador nunca fez jogo duplo ou agiu contra a lei e não tinha qualquer contato com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem atuação na Operação Lava Jato desde, pelo menos, outubro de 2016. Em nota, o escritório diz que "está entregando todos os documentos solicitados pela Procuradoria-Geral da República, e os profissionais mencionados nas investigações não fazem mais parte de seu quadro de advogados".

O ministro do STF Edson Fachin negou o pedido de prisão de Miller.

Miller destaca que, como a prática da empresa era nacional, seria possível deslocar a competência para o Ministério Público Federal.

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