Zezé di Camargo: Não houve ditadura no Brasil

Zezé Di Camargo

A promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, representou o fechamento completo do sistema político e a implantação do período mais perverso da ditadura.

Zezé Di Camargo falou de política em entrevista ao canal do Youtube de Leda Nagle, nessa segunda-feira (11). "Nós não vivíamos numa ditadura, nós vivíamos num militarismo vigiado", afirmou.

- Eu vou falar um absurdo aqui para você, vão me criticar, jornalistas vão falar de mim, achar que sou maluco.

"Eu vejo o Brasil em um momento crucial".

"Muita gente confunde militarismo com ditadura, todo mundo fala 'nós vivíamos em uma ditadura'. O Brasil nunca chegou a ser uma ditadura", falou Zezé. "Ditadura é a Venezuela, Cuba com Fidel Castro, Hungria, Coreia do Norte, China, ..."

Ao que o músico respondeu: "Mas não chegou a ser tão sangrenta, tão violenta, como a gente vive até hoje, no mundo de hoje".

Zezé chegou a defender que o Brasil voltasse a ter um sistema militar para alcançar uma futura democracia. As pessoas vão me achar maluco. "Não quero isso jamais, mas eu imagino que o Brasil hoje precisaria passar por uma depuração", pontuou. O Brasil até podia pensar no militarismo para reorganizar a coisa e entregar de novo, limpamos essa corja e está aqui o Brasil democrático de novo, como queria.

Leda Nagle discordou, ao citar que muitas pessoas foram presas e torturadas, além de confrontos.

Esse último tema foi levantado quando o cantor se disse apaixonado por programas jornalísticos no rádio e na TV e revelou sonhar com uma atração em que o apresentador desse a notícia e, em seguida, expressasse sua opinião como cidadão. Questionado sobre política, o sertanejo disse que se considera uma pessoa politizada.

"Me considero um cara muito politizado".

Siglas como Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e Doi-Codi (Destacamento de Operações e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna) ficaram conhecidas pela brutal repressão policial-militar.

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