Temer e Geddel repartiram propina paga pela Odebrecht, diz Funaro em delação

Temer e Cunha tramaram o golpe “diariamente”

O depoimento de Funaro, hoje preso no presídio da Papuda, em Brasília, faz parte do acordo de delação premiada do corretor, assinado na semana passada.

Segundo relatório da Polícia Federal encaminhado ao STF, Michel Temer liderava uma quadrilha formada para assaltar os cofres do Estado. Ele acrescentou que, de acordo com Geddel, o repasse foi acertado com Temer e o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Do total de R$ 33 milhões, uma parte, de valor não revelado, foi destinada a pagamento de fornecedores da campanha a prefeito de São Paulo de Gabriel Chalita (PMDB); e mais R$ 1 mihão foi doado ao PSC para as eleições de 2012. Funaro negociou com o empresário da Gol "o adiantamento de valores decorrentes de negócios escusos" entre o corretor e Constantino, "para a liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal", segundo nota da Polícia Federal.

O lobista também afirmou em seu acordo de colaboração com a Justiça que Temer e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) tramavam "diariamente" os trâmites para destituir Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República. Após o contato, "o próprio vice-presidente Michel Temer teria ligado diretamente para Henrique Constantino agradecendo a disposição para realizar a doação".

Na delação, homologada pelo Supremo, Funaro falou que buscou R$ 1 milhão em espécie, pagos pela empreiteira, no escritório do advogado e amigo de Temer, José Yunes. Por sua vez, Henrique Constantino declarou apenas, por meio de sua assessoria de imprensa, que "segue colaborando com as autoridades" nas investigações que dizem respeito à Operação Lava Jato.

Em resposta às acusações, o presidente da República, Michel Temer negou, para o jornal, a existência de qualquer telefonema ilícito. "Essa informação é inteiramente falsa", afirmou.

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