ONU: 370.000 rohingyas fugiram para Bangladesh desde 25 de agosto

ONU classifica violência em Mianmar como exemplo de

O Conselho de Direitos Humanos da ONU criou em 24 de março uma missão internacional independente para investigar a violência que teria sido cometida por integrantes do exército contra a minoria muçulmana rohingya, mas Mianmar não autorizou a viagem dos especialistas à região.

O comissário para os direitos humanos da ONU, Zeid Raad al-Hussein, declarou na segunda-feira que a perseguição à minoria rohingya pelo Exército de Myanmar "é um exemplo perfeito de limpeza étnica", apelando ao Governo para travar a operação militar em curso no noroeste do país asiático. "A situação atual não podem ser plenamente avaliada, mas parece um exemplo do que há nos livros sobre uma limpeza étnica", discursou. "Esta negação completa da realidade danifica enormemente a imagem internacional do Executivo", afirmou Zeid.

De acordo com os dados mais recentes da ONU, 313.000 rohingyas se refugiaram na vizinha Bangladesh. Informações sustentadas por diferentes relatos em que se dá também conta de "execuções sumárias, e inclusive o disparo sobre civis em fuga". Outro Nobel da Paz, o Dalai Lama, juntou-se ontem a Malala Yousafzai e ao bispo sul-africano Desmond Tutu, também distinguidos com o Nobel da Paz, que têm criticado o comportamento de Suu Kyi na crise e pedido a sua intervenção. A minoria muçulmana, historicamente, sempre morou em Myanmar, mas, por ordens do governo, eles não têm acesso a serviços básicos, como saúde e educação. Vivem concentrados num dos mais pobres estados do país, Rakhine, que não podem abandonar sem autorização oficial.

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, pediu ao Governo que coloque fim às cruéis operações militares actuais, que preste contas por todas as violações ocorridas e reverta o padrão da severa e estendida discriminação contra a população rohingya.

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