Gilmar Mendes: Miller não era braço direito, mas o cérebro do Janot

Gilmar Mendes acredita ter sido gravado por Joesley Batista

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (12) no plenário da Segunda Turma que o caso JBS é um "grande vexame" para a Corte e afirmou que o relator do tema, o ministro Luiz Edson Fachin, corre o risco de ter seu nome manchado. "Essa manipulação é horrorosa, é nojenta, é repugnante", criticou. "Agradeço a preocupação de Vossa Excelência, mas parece-me que, pelo menos ao meu ver, julgar de acordo com a prova dos autos não deve constranger a ninguém, muito menos um ministro da Suprema Corte".

Ministro Edson Fachin Dirigindo-se a Fachin, Gilmar Mendes disse: "Não invejo seus dramas pessoais, porque certamente poucas pessoas ao longo da história do STF se viram confrontadas com desafios tão imensos, grandiosos". "Certamente, no lugar onde está, o ministro Teori está rezando por nós, dizendo: 'Deus me poupou desse vexame'".

"Ter sido ludibriado por Miller 'et caterva' ["seus comparsas", em latim] e ter tido o dever de homologar isto [a delação dos executivos do frigorífico] deve lhe impor constrangimento pessoal muito grande nesse episódio JBS", afirmou. "Parece que ao sair de lá o Miller, ele [Janot] também perdeu o cérebro".

Os ministros se reúnem amanhã para decidir sobre pedido da defesa do presidente Michel Temer para que seja declarada a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de casos envolvendo o peemedebista. "Também agradeço a preocupação de vossa excelência e digo que a minha alma está em paz", rebateu Fachin.

Ele mencionou o pedido de prisão feito por Janot contra os senadores do PMDB Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney, negado por Teori e arquivado por Fachin.

A primeira (agravo regimental) é para que o procurador-geral seja considerado suspeito de atuar nos casos relativos a Temer. Mendes votou contrário à opinião da JBS sobre o caso.

A discussão ocorreu após o início do julgamento sobre o recebimento da denúncia apresentada na Operação Lava Jato pela Procuradoria Geral da República contra o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE).

Também é acusado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-diretor da Petrobras Djalma Rodrigues de Souza. Eles são acusados de terem recebido propina de 300 mil reais para beneficiar a UTC Engenharia nas obras da Coquepar, que seria construída no Paraná para fazer o processamento de coque (derivado do petróleo) da estatal.

"A colaboração não pode levar por si só à condenação mas poderia ser por si só elemento para recebimento da denúncia. Se se baseia única e exclusivamente em elementos trazidos por colaboradores e referências ouvidas de colaboradores, testemunhas que dizem ter ouvido de outros colaboradores a respeito do tema, e documentos unilaterais apreendidos com o próprio colaborador, eu não vejo probabilidade dessa denúncia futuramente vir a surtir qualquer tipo de sucesso", reforçou. Mas para o recebimento da denúncia tem que ter probabilidade para futura condenação.

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