Copom reforça intenção de reduzir ritmo de corte de juro

Sede do Banco Centra em Brasília
16/05/2017
REUTERS  Ueslei Marcelino

Os economistas preveem ainda que os juros cairão para 7% ao ano em dezembro, uma redução menor ainda, de 0,5 ponto percentual na última reunião do Copom em 2017. Acrescenta que "antevê encerramento gradual do ciclo".

Entre os benefícios listados estão a facilidade de comunicação e possibilidade de se acumular evidências sobre o comportamento da economia à época de encerramento do ciclo. "De forma geral, os membros do Comitê concordaram que, tudo o mais constante, há benefícios em se promover encerramento gradual de ciclos monetários", afirma o documento.

"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária". O grupo cita como riscos os efeitos secundários do choque de alimentos e a propagação do nível corrente baixo de inflação produzindo inflação prospectiva abaixo do esperado.

Para a equipe de Ilan Goldfajn, a política monetária tem flexibilidade para reagir a riscos desinflacionários e eventuais pressões que podem surgir do setor externo combinadas com a frustração das expectativas com a justes e reformas.

Por fim, o BC informou ainda que o processo de corte dos juros continuará dependendo da "evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".

Durante o encontro, os membros do colegiado voltaram a debater "os riscos associados ao processo de normalização da política monetária em economias centrais e aos rumos da economia chinesa, com possíveis impactos sobre o apetite ao risco por ativos de economias emergentes".

As reformas, de acordo com o BC, já têm impacto sobre a chamada taxa de juros estrutural, que é calculada levando em conta também em fatores como produtividade e o ambiente de negócios. Também foi enfatizada a maior capacidade da economia brasileira em absorver eventual revés externo devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica. "Esses esforços são fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira", diz o documento.

Favorável - O Copom reitera que o comportamento da inflação permanece bastante favorável, com diversas medidas de preço subjacente em nível baixo, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

O comitê lembra que a projeção do mercado para a inflação está em 3,4% este ano e em 4,2%, em 2018.

Nesse trecho do documento, o BC nota que a inflação mais baixa tem "permitido uma recomposição do poder de compra da população e contribuído para a retomada da economia".

Alimentos - Sobre a dinâmica dos preços dos alimentos, os participantes do colegiado analisaram que, nos 12 meses findos em agosto de 2017, o custo da alimentação no domicílio medido pelo IPCA acumula queda de 5,2%, em contraste com aumento de 9,4% em 2016, o que representaria uma contribuição de mais de 2 pontos percentuais para a desinflação ocorrida até agosto de 2017. Para o Copom, portanto, há risco de uma espécie de inércia desinflacionária na inflação à frente. "Uma normalização mais lenta constitui risco baixista para essas projeções [de inflação para o próximo ano]", concluíram.

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