Operação Zelotes: Lula é denunciado pela segunda vez

Segundo os investigadores R$ 6 milhões foram prometidos ao ex-presidente e a Gilberto Carvalho

Catta Pretta afirmou que essas conclusões derivaram de provas judiciais que atestaram que, diferentemente de outras empresas, a Caoa jamais celebrou contrato nem realizou pagamentos em favor de pessoas investigadas relacionados à aprovação da MP.

Essa é a segunda denúncia contra Lula por envolvimento na operação Zelotes. Em dezembro, Lula e seu filho, Luiz Cláudio Lula da Silva, foram acusados de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na ação enviada à Justiça Federal na última sexta-feira (8), o MPF pediu que os envolvidos paguem R$ 12 milhões a título de ressarcimento ao Erário e multa por danos morais coletivos. Somente a sanha persecutória de determinados procuradores contra o ex-presidente Lula pode explicar a tentativa de criminalização de uma política de desenvolvimento regional iniciada em governo anterior ao dele.

De acordo com o Ministério Público Federal, quando Lula era presidente favoreceu o setor automotivo na edição de uma medida provisória que prorrogou incentivos fiscais a montadoras instaladas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.

O caso foi revelado pela reportagem do Grupo Estado em outubro de 2015 e investigado na Operação Zelotes.

Procuradores afirmam que lobistas e empresários ofereceram R$ 33 milhões, que terminaram não sendo totalmente pagos, para convencer membros do governo a aprovar os benefícios aos grupos Caoa e MMC.

Segundo o MP, tudo foi aprovado a toque de caixa, três dias depois do "café" com então chefe de gabinete Gilberto Carvalho.

Esses repassariam os valores a Lula e Carvalho. Segundo o instituto, a denúncia "não é apenas improcedente, mas injurídica e imoral" porque trata de um tema que já foi objeto de ação penal e julgamento na primeira instância.

"A CAOA manifesta surpresa com a notícia do oferecimento, nesta data, de denúncia ao juízo federal do Distrito Federal, notadamente porque os fatos relativos à edição da Medida Provisória 471/2009 já foram objeto de minuciosa investigação policial - e mesmo de demanda judicial - onde restou comprovada a absoluta inocência da empresa. O PT se solidariza com o ex-presidente e se coloca ao seu lado para manter viva a memória dos governos de Lula para o País".

O advogado de Mauro Marcondes disse que a denúncia é requentada e que o procurador está brincando com a Justiça. Também constam da ação, referências a manuscritos e a registros feitos por José Ricardo da Silva e João Batista Gruginski que, na avaliação do MPF, confirmam a cooptação dos agentes públicos com o objetivo de garantir a edição da medida provisória.

O JN não conseguiu contato com a defesa de Alexandre Paes dos Santos e de Paulo Arantes Ferraz.

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