Ex-procurador quer ser ouvido antes de decisão por prisão

Janot anula benefícios de Joesley e Saud

Joesley também afirmaria no áudio que Miller estaria atuando para influenciar Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, para fechar acordo de delação premiada com a JBS.

Em nota, a defesa de Miller criticou o pedido de prisão, feito durante o depoimento do ex-procurador no Rio. As fotos das malas de dinheiro em um apartamento soteropolitano ganharam as primeiras páginas de jornais e as redes sociais, culminando, nessa quinta-feira, 07, com a informação da Polícia Federal de que foram encontradas digitais do ex-ministro no apartamento. O pedido de prisão ainda precisa ser apreciado por Fachin.

Na última segunda-feira (4), Janot anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.

Segundo o jornalista Ricardo Noblat, não foi Joesley que despachou a gravação para a PGR. De acordo com o site da Folha, para a equipe de Janot, houve descumprimento de dois pontos de uma cláusula de delação que tratam de omissão de má-fé.

Os delatores argumentam que apenas consultaram Miller em linhas gerais sobre o processo de delação e que acreditavam que ele já havia saído da PGR. Ele afirmou, no entanto, que conversou superficialmente com o ex-procurador sobre o acordo de delação.

De acordo com a defesa dos empresários, uma vez que o pedido de prisão se tornou público, "não se justifica mais a imposição de um contraditório diferido", quando o juiz toma a decisão antes de ouvir uma das partes diante, por exemplo, da necessidade de produção de provas urgentes.

"Caso haja qualquer dúvida sobre a intenção dos peticionários em submeterem-se à lei penal, ambos, desde já, deixam à disposição seus passaportes, aproveitando para informar que se colocam à disposição para comparecerem a todos os os atos processuais para prestar esclarecimentos, da mesma forma com que têm colaborado com a Justiça até o presente momento", prossegue o documento assinado pelos advogados Pierpaolo Bottini e Ana Fernandes Ayres Dellosso.

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