Defesa entrega passaportes de Joesley Batista e Ricardo Saud à Justiça

Em gravação, delatores da JBS falam em 'virar amigos de Janot'

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu nesta sexta-feira (8) ao Supremo Tribunal Federal (STF) as prisões do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, de Ricardo Saud, executivo da empresa, e do ex-procurador da República Marcelo Miller.

O documento com o pedido de Janot está sob sigilo e a decisão depende do juiz Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF.

O procurador-geral Rodrigo Janot pretende revogar a imunidade anteriormente negociada com Joesley Batista, dono do frigorífico, e outros dois executivos até o final da próxima semana, quando termina seu mandato na PGR (Procuradoria-Geral da República).

Joesley Batista prestou depoimento por três horas, em Brasília.

Os bens de todos os envolvidos serão colocados em indisponibilidade e, com base na legislação que protege os acionistas e os empregos das empresas do grupo J&F, elas serão acusadas de lavagem de dinheiro, e de ganho de capitais ilícitos a partir da delação premiada contra o presidente da República.

Os delatores argumentaram que apenas consultaram Miller em linhas gerais sobre o processo de delação e que acreditavam que ele já havia saído da PGR. Ele afirmou, porém, que conversou superficialmente com o ex-procurador sobre o acordo de delação. Esse seria o entendimento de pelo menos três ministros do Supremo, que a rescisão do acordo não anula as provas.

Joesley, ainda de acordo com as fontes, negou que gravação tenha sido entregue por engano e afirmou que foi uma iniciativa de transparência.

Segundo o colunista do Globo, Saud gravou Joesley e agora tem esperança de não ser punido porque nada disse de grave durante a conversa, quase um monólogo do seu patrão. Segundo o empresário, no entanto, Marcelo Miller se apresentou como advogado e disse que já tinha pedido a exoneração do Ministério Público - o que só teve efeito oficialmente a partir de abril. Nesta sexta-feira está agendado o depoimento do ex-procurador Marcello Miller, suspeito de ter atuado em um sistema para beneficiar a JBS na elaboração das condições do acordo de leniência. Uma das saídas para os executivos é tentar negociar um outro benefício, mas, de acordo com pessoas próximas, Janot não tem se mostrado disposto a dar mais uma chance a Joesley. "As declarações dele (Miller) não interessam para o MP?", questionou a defesa.

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